Após o Palácio de Buckingham anunciar que o Rei Charles III iniciou um processo formal para remover os títulos e honrarias do príncipe Andrew, a família de Virginia Giuffre, advogada americana conhecida por denunciá-lo por abuso sexual, declarou que sua coragem “derrubou um príncipe”. Virginia ganhou notoriedade internacional por seu papel nas acusações contra Jeffrey Epstein, magnata norte-americano condenado por crimes sexuais, Andrew e Ghislaine Maxwell, cúmplice do financista.
“Hoje, uma americana comum, vinda de uma família americana comum, derrubou um príncipe britânico, com sua verdade e sua coragem extraordinária”, escreveu a família de Virginia, que morreu em abril deste ano, em um comunicado enviado à rede BBC.
O comentário da família chega após anos de repercussões contra o príncipe Andrew, que acabou firmando um acordo extrajudicial com Giuffre, sem admitir culpa. A repercussão do caso levou Andrew a se afastar de funções oficiais da monarquia britânica.Além da perda dos títulos, Andrew também foi notificado para deixar a residência ligada à realeza e passar a viver em um imóvel privado.
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“O Príncipe Andrew será agora conhecido como Andrew Mountbatten Windsor. Seu contrato de aluguel na Royal Lodge, até o momento, lhe garantia proteção legal para continuar residindo lá. Agora foi entregue notificação formal para a entrega do contrato, e ele se mudará para outra acomodação privada”, explica o documento.
Virginia Giuffre tornou-se conhecida mundialmente por seu papel central nas acusações contra Jeffrey Epstein, magnata norte-americano condenado por crimes sexuais que morreu na prisão em 2019, e contra Ghislaine Maxwell, cúmplice do financista e atualmente condenada por tráfico de menores. Giuffre também moveu uma ação civil contra o príncipe Andrew, filho da Rainha Elizabeth II, alegando que ele a agrediu sexualmente em 2001, quando ela tinha 17 anos.
Anos após levar à Justiça um dos homens mais poderosos da monarquia britânica, a americana tirou a própria vida na Austrália. A morte da advogada foi anunciada por sua família em abril.
O caso contra Andrew foi um dos mais emblemáticos do escândalo, destacando o alcance da rede de exploração sexual montada por Epstein. Os encontros teriam ocorrido em Londres, Nova York e nas Ilhas Virgens, intermediados por Epstein e Maxwell.
Embora o príncipe tenha sempre negado as acusações, acabou firmando um acordo extrajudicial multimilionário com Giuffre, encerrando o processo sem admitir culpa. A repercussão levou Andrew a se afastar das funções oficiais da monarquia britânica.
Em meio à batalha legal contra o príncipe, veio à tona um acordo firmado por Giuffre com Epstein em 2009, no qual ela se comprometia a não processar outros “réus em potencial” em troca de US$ 500 mil.
Em março deste ano, Virginia foi hospitalizada após um grave acidente de carro, e chegou a publicar em redes sociais que estava com insuficiência renal e com poucos dias de vida, dizendo estar pronta para partir.
“Tenho insuficiência renal, deram-me quatro dias de vida e fui transferida para um hospital especializado em urologia. Estou pronta para ir, mas não sem antes ver os meus filhos pela última vez”, escreveu. A família de Giuffre divulgou nota, na ocasião, lamentando profundamente a perda. O comunicado confirmou que Giuffre morreu por consequência dos danos psicológicos profundos causados por anos de abuso e exploração sexual.
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“É com o coração completamente destroçado que anunciamos que Virginia faleceu ontem à noite [sábado] na sua quinta na Austrália Ocidental. Não há palavras que possam expressar a profunda perda que sentimos hoje com a morte da nossa doce Virgínia”, afirmou o comunicado.
Fonte:O Globo