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Familiares de policiais militares custodiados transferidos para nova unidade prisional divulgam carta aberta e denunciam abandono
Foto: Reprodução

Familiares de policiais militares custodiados no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (COMPAJ), em Manaus, divulgaram nesta sexta-feira, 16/05, uma carta aberta direcionada à tropa da Polícia Militar do Amazonas denunciando o que classificam como abandono institucional, insegurança e falta de transparência em relação à situação dos agentes transferidos para a nova unidade prisional da capital amazonense.

 

No documento, mães, esposas, filhos e irmãos dos policiais afirmam viver dias de angústia diante das condições em que os militares estariam sendo mantidos dentro do sistema prisional comum, convivendo próximos de faccionados e criminosos de alta periculosidade.

 

Os familiares destacam que muitos dos custodiados ainda respondem a processos na condição de presos provisórios ou aguardam decisões definitivas da Justiça, e defendem que os policiais deveriam permanecer sob custódia em unidade específica da corporação militar, conforme garantias previstas na legislação e nos regulamentos militares.

 

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A carta também faz críticas ao silêncio das autoridades e à ausência de informações claras para as famílias sobre segurança, visitas e garantias de integridade física dos custodiados.

 

 

“Falta humanidade. Falta transparência. Falta comando”, diz um dos trechos mais fortes do documento divulgado pela comissão de familiares.

 

Os parentes afirmam ainda que o problema não atinge apenas os policiais atualmente presos, mas toda a categoria, alertando que qualquer integrante da corporação poderia enfrentar situação semelhante futuramente.

 

 

Ao final, a comissão pede união da tropa e apoio ao abaixo-assinado criado em defesa dos policiais militares custodiados, cobrando respeito às garantias constitucionais, proteção e tratamento digno aos agentes que atuaram na segurança pública do estado.

 

A carta foi assinada pela Comissão de Familiares dos Policiais Militares Custodiados e divulgada em Manaus nesta sexta-feira, 16 de maio de 2026. 

 

Fptps: Reprodução

 

VEJA CARTA NA ÍNTEGRA:

 

CARTA ABERTA AOS POLICIAIS MILITARES DO AMAZONAS

 

Nós, familiares dos policiais militares atualmente custodiados no Complexo Penitenciário do COMPAJ, dirigimo-nos a cada homem e mulher que veste a farda da Polícia Militar do Amazonas para fazer um apelo que nasce da dor, do medo e, acima de tudo, do sentimento de abandono.


Hoje, nossos maridos, filhos, irmãos e pais encontram-se confinados em um espaço que jamais deveria receber policiais militares. Estão dentro de um complexo penitenciário comum, cercados por faccionados e criminosos de alta periculosidade, separados apenas pelo que ficou conhecido como “muro da morte”.


Homens que dedicaram suas vidas à segurança pública agora vivem sob risco permanente, longe da proteção mínima que deveria ser garantida pela própria instituição à qual servem ou serviram.


E é preciso lembrar: muitos dos que hoje estão atrás daqueles muros são presos provisórios, outros que ainda recorrem de suas sentenças e que sequer tiveram suas situações definitivamente julgadas em todas as esferas da Justiça.


São policiais que, em inúmeras ocorrências, precisaram tomar decisões em segundos para proteger inocentes, salvar famílias e impedir que criminosos avançassem contra a sociedade. Em países que valorizam verdadeiramente suas forças de segurança, muitos desses homens seriam tratados como heróis por terem colocado suas próprias vidas em risco para preservar vidas inocentes.


Mas aqui vivem o abandono.


A Constituição, os regulamentos militares e os princípios básicos da dignidade humana apontam que policiais militares devem permanecer sob custódia em unidade própria da corporação. O que vemos hoje é uma ruptura grave dessa proteção institucional.


O mais doloroso não é apenas o cárcere.


É o silêncio.


É a ausência de diálogo honesto e transparente com as famílias.

É a falta de respostas.

É a insegurança diária.


É perceber que mães, esposas e filhos vivem sem qualquer amparo emocional ou institucional.


Falta humanidade.

Falta transparência.

Falta comando.


Nenhuma família deveria descobrir informações por boatos, redes sociais ou notícias desencontradas. Nenhuma família deveria implorar por informações básicas sobre segurança, visitas e garantias mínimas de integridade física.


Mas esta carta não fala apenas sobre os que estão lá dentro.


Ela fala sobre todos vocês.


Porque hoje são as nossas famílias que choram sem dormir. Somos nós que vivemos com medo do telefone tocar de madrugada. Somos nós que atravessamos dias de angústia imaginando o que pode acontecer atrás daqueles muros.


Amanhã, porém, por qualquer motivo banal, administrativo, político ou circunstancial, pode ser a família de qualquer policial desta corporação vivendo o mesmo pesadelo.


Nenhum policial entra para a PM imaginando que um dia poderá ser descartado pela própria estrutura que jurou defender.


E é justamente isso que mais dói.


Ver homens tratados com menos dignidade do que o próprio Estado muitas vezes garante até aos animais. Ver policiais esquecidos por aqueles que deveriam defendê-los. Ver representantes políticos da categoria silenciarem enquanto famílias inteiras adoecem emocionalmente.


Nós não pedimos privilégios.


Pedimos humanidade.
Pedimos legalidade.
Pedimos proteção.
Pedimos respeito às garantias constitucionais.
Pedimos que os policiais militares do Amazonas não sejam lançados à própria sorte em meio ao sistema prisional comum.


Por isso, clamamos pelo apoio de toda a tropa.


Assinem o abaixo-assinado.
Levantem suas vozes.
Mostrem que a farda ainda representa irmandade.
Mostrem que nenhum policial está sozinho.


Porque quando um policial perde sua dignidade, toda a corporação perde junto.


Hoje somos nós.
Amanhã podem ser vocês.


Comissão de Familiares dos Policiais Militares Custodiados


Manaus, 16 de Maio de 2026

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