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Manaus
Familiares de policiais militares presos exigem transferências, após intimidação e ameaças de morte
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A situação no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, pegou fogo e o clima é de pavor absoluto entre os familiares de policiais militares que cumprem pena na Unidade Prisional da Polícia Militar (UPPM). Dias após o motim que transformou quatro agentes da guarda em reféns — incluindo um major e três soldados —, esposas, pais e parentes dos detentos lotaram a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) para fazer denúncias gravíssimas: eles afirmam que os PMs custodiados estão sofrendo ameaças diretas de morte, agressões físicas e negligência médica.

 

A tensão escalou após a crise encerrada na madrugada de quarta-feira (2), quando equipes de elite da própria Polícia Militar adentraram o presídio para retomar o controle. Segundo relatos desesperados colhidos pelos defensores públicos, os riscos de uma tragédia nos bastidores são iminentes.

 

A esposa de um dos policiais custodiados revelou que as ameaças estão sendo enviadas de forma sádica por meio de recados deixados nas roupas dos detentos.

 

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"Eles recebem as roupas que vêm da lavanderia do presídio com mensagens escritas à caneta, dizendo que, até o fim do ano, vai haver uma rebelião e que todos os presos militares serão mortos"

 

O medo é compartilhado por dezenas de outras famílias que agora exigem a desativação ou a transferência imediata da unidade policial de dentro do complexo carcerário comum. "Queremos que eles saiam desse Complexo, porque as ameaças são graves. Estamos todos muito preocupados", desabafou o pai de outro detento.

 

As denúncias não param nas ameaças de massacre. Os familiares também relataram que, logo após a saída dos representantes dos órgãos fiscalizadores e o fim das negociações do motim, os policiais presos teriam sofrido retaliações violentas dentro da cadeia.

 

De acordo com os depoimentos, os detentos teriam sido alvos de agressões físicas e disparos de bala de borracha por parte de forças de segurança após o controle ser restabelecido. Um dos presos estaria com o pé gravemente machucado e sem acesso a laudo ou exame de corpo de delito.

 

Para piorar a situação de penúria no xadrez, há denúncias recorrentes de marmitas estragadas e impróprias para consumo, além da troca arbitrária de remédios controlados essenciais para detentos que fazem tratamento psiquiátrico.

 

A transferência desses policiais militares para o prédio da antiga Penitenciária Feminina de Manaus (ao lado do Compaj) ocorreu em maio deste ano, justamente após uma fuga cinematográfica e vexatória de 23 detentos do antigo núcleo prisional localizado no bairro Monte das Oliveiras, Zona Norte de Manaus.

 

Diante do caldeirão de denúncias, a Defensoria Pública informou que vai acionar o Comando da Polícia Militar do Amazonas (PMAM) e a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) para cobrar explicações severas, além de protocolar representações na Justiça Militar para apurar se o local realmente possui condições mínimas de segurança e respeito aos direitos humanos.

 

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Enquanto as autoridades investigam, o clima nos arredores do Compaj segue de cerco fechado e pânico constante.

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