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Famílias de reféns lançam flotilha rumo à costa de Gaza e pedem fim da ?guerra interminável?
Foto: Reprodução

Cerca de vinte familiares de reféns israelenses mantidos pelo Hamas em Gaza lançaram na manhã desta quinta-feira uma flotilha de protesto a partir de Ashkelon em direção à fronteira marítima com o enclave palestino.

 

A manifestação ocorre horas antes de uma reunião decisiva do Gabinete de segurança de Israel, convocada pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que deve discutir a possibilidade de ocupação total de Gaza — medida que, segundo o chefe do Exército, pode colocar os reféns em risco.

 

A flotilha, organizada com autorização das Forças Armadas de Israel e da polícia, conta com cerca de dez embarcações e deve durar duas horas. Durante o trajeto, os familiares devem transmitir mensagens por alto-falantes em direção a Gaza e lançar boias salva-vidas no mar como gesto simbólico.

 

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“Estamos navegando para a fronteira marítima com Gaza para clamar pelos nossos entes queridos, mantidos por uma organização terrorista assassina”, disseram os familiares em comunicado antes da partida. “Falar agora em ocupar Gaza e expandir os combates os coloca em risco imediato de morte ou desaparecimento. Trazer de volta todos os 50 reféns é a única imagem real de uma vitória israelense”.

 

O grupo também apelou diretamente a Netanyahu, ao chefe do Estado-Maior, Eyal Zamir, e ao ministro Ron Dermer, responsável pelas negociações, afirmando que “este é o momento de uma liderança corajosa” e que “continuar a obstruir, adiar e fracassar em trazer nossos familiares de volta será uma tragédia para gerações”:

 

“A responsabilidade é de vocês. Não sacrifiquem nossos entes queridos no altar de uma guerra interminável.”Yehuda Cohen, pai de Nimrod, um dos reféns ainda em cativeiro, fez um apelo para que todas as forças de segurança — terrestre, naval e aérea — se mobilizem pelo resgate. Ele afirmou que “todos os reféns precisam de ajuda”, acrescentando que o “governo Netanyahu se recusa a agir e está trabalhando pela morte deles”, ao tentar lançar uma guerra total em Gaza. Cohen também apelou à comunidade internacional por ajuda.

 

Em vídeo divulgado à imprensa, Einav Zangauker, mãe de Matan, também sequestrado, convocou protestos nesta noite em frente ao Gabinete de Netanyahu, em Jerusalém, onde membros do alto escalão do governo se reunirão para debater o futuro da guerra no enclave.

 

— Esta é uma noite crítica. Nas últimas semanas, dei uma chance a um acordo. Netanyahu explorou a minha dor, a dor das famílias, a dor do povo, e sabotou as negociações. Ele mentiu para mim, mentiu para todos nós. Ele não tem intenção de trazer nossos filhos de volta. Nunca mais.

 

Grupos de protesto e outras famílias de reféns também convocaram manifestações em todo o país nesta quinta-feira, com atos previstos em Tel Aviv e Jerusalém. Em nota, o Fórum das Famílias dos Reféns pediu que o chefe do Estado-Maior e comandantes das Forças Armadas se oponham a qualquer operação militar que coloque em risco a vida dos sequestrados.

 

"Você é o comandante supremo. Não aceite colocar nossos familiares em risco", diz o comunicado, que também pede que os militares evitem ações que impeçam o retorno dos corpos dos mortos. O Fórum argumenta ainda que a maioria da população apoia um acordo para trazer os reféns de volta e encerrar os combates. "Qualquer outra decisão seria desumana, contrária à vontade do povo e desastrosa para os reféns e para o Estado de Israel", acrescenta.

 

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A reunião do Gabinete de segurança está prevista para a noite desta quinta-feira, em meio a pressões políticas por uma ofensiva final em Gaza. Segundo a imprensa local, o chefe do Exército apresentou na terça-feira ao premier Netanyahu planos para uma escalada gradual da campanha militar. O encontro, que também contou com a presença do ministro da Defesa, Israel Katz, durou cerca de três horas. Segundo relatos, Zamir teria advertido os líderes políticos de que uma nova fase da guerra poderia comprometer a vida dos reféns ainda mantidos pelo Hamas. 

 

Fonte: O Globo

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