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16/08/2021

Fóssil revela mamute de 17 mil anos que andou distância de 2 voltas na Terra

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Foto: James Havens

Estudo com presa do animal da espécie "Mammuthus primigenius" é a primeira evidência de que esse mamífero extinto viajava grandes distâncias, segundo pesquisadores

Um fóssil de 17 mil anos de um mamute-lanoso (Mammuthus primigenius), proveniente do Museu do Norte da Universidade do Alasca, nos Estados Unidos, foi analisado por pesquisadores, que reconstituíram a surpreendente jornada de vida do animal.

 

Os achados foram registrados nesta sexta-feira (13), na revista Science.

 

O estudo realizado pelos especialistas revelou que, ao que tudo indica, o ser pré-histórico percorreu uma distância equivalente a quase duas voltas na Terra durante seus 28 anos de vida. Com isso, a equipe julga estar diante da primeira evidência de que esses mamíferos extintos viajavam grandes distâncias.


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“Não está claro se foi um migrador sazonal, mas cobriu algumas sérias regiões”, conta Matthew Wooller, que liderou o estudo, em comunicado. “Ele visitou muitas partes do Alasca em algum momento de sua vida, o que é incrível quando você pensa sobre o quão grande é essa área.”

 

Pesquisador Mat Wooller junto à coleção de presas de mamute do Museu do Norte da Universidade do Alasca (Foto: JR Ancheta/UAF)

Pesquisador Mat Wooller junto à coleção de presas de mamute do Museu

do Norte da Universidade do Alasca (Foto: JR Ancheta/UAF)

 

Para estimarem a trajetória do mamute-lanoso, os cientistas estudaram uma presa do animal, dividindo-a em 400 mil pontos microscópicos. “Do momento em que nascem até o dia em que morrem, [os mamutes] têm um diário que está escrito em suas presas”, explica Patrick Druckenmiller, paleontólogo que contribuiu com o estudo.

 

Em seguida, os pesquisadores também avaliaram na presa a presença de elementos químicos como estrôncio e oxigênio e compararam os resultados com mapas das variações de isótopos das substâncias no Alasca. Os mapeamentos em questão continham dados de dentes de centenas de pequenos roedores que percorriam curtas distâncias.

 

Por último, os cientistas consideraram as barreiras geográficas e as distâncias médias que o mamute-lanoso poderia ter viajado a cada semana. Assim, eles traçaram rotas prováveis para o animal ao longo de sua vida. Seu DNA revelou ainda que ele era macho e estava relacionado ao último grupo de M. primigenius que vivia no Alasca.

 

Pesquisadora Karen Spaleta prepara pedaço de presa de mamute para análise  (Foto: JR Ancheta/UAF)

Pesquisadora Karen Spaleta prepara pedaço de presa de mamute

para análise (Foto: JR Ancheta/UAF)

 

Os cientistas sabiam que o mamute-lanoso morreu na encosta norte da península, acima do Círculo Polar Ártico, onde foram escavados seus restos. Porém, graças à análise, eles descobriram também que a causa da morte foi fome, que o devastou durante seu último inverno de vida.

 

Os autores do estudo ainda esperam entender como as alterações no clima afetam as espécies que vivem atualmente no Alasca. “O Ártico está passando por muitas mudanças agora e podemos usar o passado para ver como o futuro pode funcionar para as espécies hoje e mais para frente”, diz Wooller.

 

Uma visão de perto mostra uma presa de mamute dividida. A coloração azul é usada para revelar linhas de crescimento. (Foto: UAF photo by JR Ancheta)

Uma visão de perto mostra uma presa de mamute dividida. A coloração

azul é usada para revelar linhas de crescimento.

(Foto: UAF photo by JR Ancheta)

 

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“Tentar resolver essa história de detetive é um exemplo de como nosso planeta e ecossistemas reagem diante das mudanças ambientais.”

 

Fonte: Galileu

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