Relatórios e portfólios devem evidenciar a trajetória de cada aluno, mostrar às famílias os avanços ocorridos e apoiar o planejamento do período seguinte
Enquanto em outras etapas de ensino o final do ano é marcado por provas e exames, na Educação Infantil a produção de relatórios e a sistematização de portfólios predominam. Isso porque, sem provas formais, o processo avaliativo é muito mais apoiado na observação que os professores fazem a respeito das vivências dos bebês e das crianças.
“Esse processo deve permitir que os docentes avaliem não apenas os alunos, mas também o tipo de oportunidade de experiências que eles estão oferecendo”, afirma Nilcileni Brambilla, educadora e formadora de professores. Os documentos pedagógicos servem tanto para as famílias conhecerem os avanços de seus filhos quanto para apoiarem o planejamento do ano seguinte.
Na prática, esse é um processo que vai acontecendo ao longo do ano – avaliar, planejar e documentar – e, em dezembro, é hora de apenas agrupar e organizar tudo isso. “Eu costumo dizer que, durante o processo avaliativo, que se estende por todo o ano, os professores montam um grande quebra-cabeça, juntando evidências de aprendizagem para mostrar os avanços dos alunos. Se não tiver intencionalidade pedagógica, isso vira um Frankenstein, cheio de partes não conectadas”, aponta a especialista. “Quando o professor sabe de forma muito clara aonde ele quer chegar, ele já chega ao final do ano com esse quebra-cabeça montado.”
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Qualquer que seja o instrumento escolhido, os alunos são sempre o centro do processo avaliativo, a partir das suas próprias vivências. “Isso se dá por meio das brincadeiras, rodas de conversa, escolhas que fazem, perguntas que levantam e produções que realizam ao longo do ano. Suas ações, expressões e interações orientam nossos registros e mostram o caminho da aprendizagem”, sintetiza Kauanne Cabral, coordenadora pedagógica da Educação Infantil na Escola Estadual Indígena São Félix, em Orocó (PE).
Com 10 anos de experiência em sala de aula, ela é uma das autoras do material educacional Ciranda das Infâncias, desenvolvido especialmente para a Educação Infantil de Pernambuco, fruto da parceria entre Fundação Van Leer, Secretaria Estadual de Educação de Pernambuco e Nova Escola.
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Para planejar esses instrumentos, Nilcileni acrescenta que os professores devem ter em mente as características da faixa etária com a qual atuam, as habilidades e competências que o grupo já possui, os interesses que estão sendo construídos e o objetivo da vivência proposta.
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Fotos: Reprodução
Com intencionalidade pedagógica, planejamento e bons instrumentos avaliativos utilizados ao longo do ano, a sistematização de documentos se torna uma tarefa mais simples, mas ainda assim desafiadora. “Ainda estamos olhando para a avaliação como um registro final, quando na verdade é um processo que parte do planejamento. Será que esse professor que agora está agrupando registros, construindo portfólios, relatórios e mini-histórias tinha claro lá no planejamento quais eram esses documentos? A avaliação sempre parte da intencionalidade, e ainda temos que construir essa concepção”, diz Nilcileni.
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Esse momento final de sistematização não deve ser enxergado como mera burocracia, mas como um passo importante para registrar os avanços dos alunos. Nesse sentido, o foco do professor deve ser no que ele pretende comunicar. Francielly Falcão, professora da rede municipal de Garanhuns (PE) e uma das autoras do Cirandas das Infâncias, constrói três pareceres descritivos ao longo do ano, documento orientado pela rede de ensino. No início do período letivo, esse documento traz um mapeamento inicial que revela as habilidades prévias das crianças, baseado em observações realizadas no primeiro mês letivo. Já no final de cada semestre, analisa os avanços e conquistas dos estudantes.
Fonte: Nova Escola