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Finanças a dois: Diálogo e planejamento financeiro devem começar no namoro
Foto: Divulgação

Especialistas do Sicredi orientam que objetivos, prioridades e escolhas do casal devem ser compartilhados para alcançar uma vida financeira sustentável

No Dia dos Namorados, comemorado neste dia 12 de junho, muitos casais celebram o amor com presentes, declarações e planos para o futuro. Mas, quando a vida a dois começa a ganhar forma, também surgem conversas que nem sempre são fáceis, entre elas, a relação com o dinheiro. A data, que incentiva o consumo e neste ano estima movimentar cerca de R$ 22,1 bilhões no varejo brasileiro, segundo a estimativa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, torna-se uma oportunidade para olhar com mais atenção para escolhas financeiras, que vão além da comemoração.

 

Falar sobre orçamento, prioridades, dívidas e objetivos em comum ajuda o casal a entender melhor a realidade de cada um e a construir escolhas mais equilibradas. Essa é uma das bases que orientam as ações de educação financeira desenvolvidas pelo Sicredi, que apoia pessoas e famílias na construção de uma relação mais consciente e sustentável com o dinheiro. No dia a dia, a falta de diálogo sobre assunto ainda aparece como um dos principais desafios da vida a dois. Segundo levantamento da Serasa, 53% dos brasileiros apontam as finanças como o principal motivo de brigas nos relacionamentos amorosos.

 

A pesquisa identificou quatro situações que mais geram desentendimentos financeiros entre os casais: decisões tomadas por impulso, falta de transparência, excesso de gastos e diferenças no estilo de vida. A impulsividade financeira aparece como o principal ponto de conflito, citada por 35% dos entrevistados, e pode envolver compras por impulso, gastos não combinados ou mudanças que comprometem compromissos assumidos em conjunto. A falta de transparência também pesa na relação: 49% dos entrevistados admitem já ter escondido algum problema financeiro do parceiro.

 

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O levantamento mostra ainda que os impactos podem ultrapassar o momento da discussão. Segundo a Serasa, 41% dos brasileiros afirmam ter ficado com o CPF negativado por causa de um relacionamento, enquanto 45% relataram ter contraído dívidas de ex-parceiros mesmo após o término da relação.

 

EDUCAÇÃO FINANCEIRA DESDE O INÍCIO

 

Para a consultora de Investimentos do Sicredi, Maria Tamires Adelino, muitos casais compartilham sonhos, projetos e planos para o futuro, mas deixam de lado conversas importantes sobre a vida financeira. Segundo ela, falar sobre dinheiro ainda é um dos maiores tabus dentro dos relacionamentos no Brasil. “Muitos casais compartilham a vida, os planos e os sonhos, mas evitam a conversa sobre finanças, seja por desconforto, por diferença de hábitos ou simplesmente porque nunca ninguém ensinou que esse papo precisa acontecer cedo”, afirma.

 

Para a especialista, quando o casal fala sobre dinheiro desde o início fica mais fácil combinar prioridades, entender os limites de cada um e tomar decisões em conjunto. Esse diálogo ajuda a evitar que gastos, dívidas ou diferenças de comportamento financeiro, se tornam motivos de desgaste na relação.

 

A importância dessa conversa também aparece nos dados sobre o comportamento financeiro dos brasileiros. Segundo o Raio-X do Investidor Brasileiro, divulgado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) em parceria com o Datafolha, um terço da população não tem nenhuma reserva para gastos imprevistos. Entre os 69% que afirmam ter algum dinheiro guardado, 43% consumiriam todo o valor em até seis meses.

 

DA RESERVA FINANCEIRA AOS INVESTIMENTOS

 

Nos estados de Mato Grosso, Pará, Rondônia, Acre, Amazonas, Amapá, Roraima e algumas cidades de Goiás, área de atuação da Central Sicredi Centro Norte, os dados mostram um cenário promissor. A região Norte é a que mais poupa no país: 40% dos entrevistados afirmam guardar dinheiro todos os meses, acima da média nacional, de 33%. Apesar disso, entre os que conseguem poupar, apenas 43% aplicam os recursos em algum tipo de investimento, o que significa que mais da metade do dinheiro guardado na região fica parado fora do mercado financeiro, perdendo rentabilidade. Quando analisada a distribuição de investidores, Norte e Centro-Oeste representam, respectivamente, apenas 6% e 8% do total de investidores do país, sinalizando um potencial expressivo ainda a ser desenvolvido nessas regiões.

 

Para Tamires, esse cenário mostra que guardar dinheiro é um passo importante, mas não deve ser o único. Quando existe orientação, a reserva pode fazer parte de um planejamento mais completo, que considere os objetivos do casal, a proteção financeira da família e planos de longo prazo, como a aposentadoria.

 

“O investimento é uma parte primordial na construção de uma vida financeira próspera e ele deve sempre estar em primeiro lugar no orçamento familiar, como uma obrigação. Desta forma garante-se que sempre haverá um valor para ser utilizado principalmente na hora da emergência, que é quando as famílias geralmente começam a se endividar justamente por não ter esta reserva”, acrescenta Eber Ostemberg, consultor de Sustentabilidade e Cooperativismo do Sicredi.

 

PROTEÇÃO E FUTURO

 

No campo da proteção financeira, dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), com base em informações da Superintendência de Seguros Privados (Susep), mostram que os prêmios de seguros de pessoas somaram R$ 78,8 bilhões em 2025, crescimento de 8,3% em relação ao ano anterior. Mesmo assim, apenas 11% dos investidores brasileiros afirmam poupar com foco na aposentadoria, segundo a pesquisa da Anbima e Datafolha.

 

“É nesse contexto que o Sicredi se posiciona. Como instituição financeira cooperativa, oferece consultoria financeira personalizada, produtos de investimento, previdência privada, consórcio e programas de educação financeira, tudo dentro de uma lógica em que o associado é dono da instituição e tem acesso a orientação próxima, não apenas a produtos. Para casais, isso significa ter um parceiro que entende o projeto de vida conjunto desde o namoro, antes que os problemas financeiros se tornem um obstáculo no relacionamento”, destaca.

 

De acordo com a especialista, o Dia dos Namorados abre um espaço natural para tratar desses temas de forma positiva, não como alerta, mas como convite. “Falar sobre sonhos, metas e dinheiro desde cedo é o que diferencia os casais que realizam objetivos juntos daqueles que descobrem tarde demais que estavam indo em direções opostas”, resume Tamires.

 

DICAS PARA PRATICAR A DOIS

 

1 – O primeiro passo é ter a conversa sobre o dinheiro. Geralmente é tabu e precisamos ultrapassar esta barreira.

 

2 – Definir objetivos em comum. Seja uma viagem, um fim de semana de lazer, o importante é ter um objetivo e planejar em conjunto a realização.

 

3 – Se o casal já mora junto e divide as despesas, a recomendação é que estas despesas sejam divididas de acordo com a renda de cada um. Exemplo, se um ganha R$ 3.000,00 e o outro R$ 5.000,00, a conta de energia, por exemplo, pode ser dividida entre 37% do valor para quem ganha R$ 3.000,00 e 63% para quem ganha R$ 5.000,00.

 

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4 – Tenham um dia fixo para falar sobre as finanças. Mesmo sendo ainda namorados, ter alguém que você confia pode ser um ótimo auxílio para uma vida financeira próspera. 

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