Documento preliminar prevê alterações no foro privilegiado, restrições a decisões individuais de ministros e quarentena para indicações à Corte
O plano de governo de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, deve apresentar propostas para alterar regras relacionadas ao funcionamento e às atribuições do Supremo Tribunal Federal (STF), caso ele seja eleito.
As medidas constam em uma versão preliminar do documento, que ainda passa por ajustes da campanha antes de ser encaminhada à Justiça Eleitoral. A previsão é que o plano seja protocolado nesta quinta-feira (13/8).
Entre as propostas estão mudanças nas regras do foro privilegiado, limites para decisões individuais de ministros do STF e a criação de uma quarentena para pessoas que tenham ocupado determinados cargos públicos antes de serem indicadas para uma vaga na Corte.
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Pela proposta, ex-ministros ou ex-secretários de Estado teriam de aguardar pelo menos um ano após deixarem os cargos para poderem ser indicados ao Supremo.
O documento também prevê retirar do STF a competência para julgar diretamente processos criminais envolvendo autoridades que atualmente possuem foro na Corte. Esses casos passariam a tramitar em outras instâncias do Poder Judiciário.
A alteração do foro privilegiado é uma pauta defendida há anos por setores da oposição no Congresso Nacional. Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o tema foi aprovada pelo Senado e está pronta para ser analisada pelo plenário da Câmara desde 2018.
LIMITES PARA DECISÕES INDIVIDUAIS
Outra medida prevista no documento é a criação de limites para decisões monocráticas de ministros do STF, principalmente quando as determinações interferirem em medidas aprovadas pelo Congresso.
A proposta estabelece que decisões individuais com grande impacto político, econômico ou institucional sejam submetidas rapidamente à análise do colegiado do Supremo.
Até que o plenário avalie a decisão, o texto defende a manutenção da validade de leis e outras medidas aprovadas pelo Congresso Nacional.
MUDANÇAS EM AÇÕES NO SUPREMO
O plano preliminar também deve propor alterações nas regras relacionadas às Arguições de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPFs) e às Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs).
A intenção é modificar critérios sobre o uso desses instrumentos e quem pode apresentar as ações diretamente ao Supremo.
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Caso sejam mantidas na versão final do programa, as propostas dependerão de aprovação do Congresso Nacional para serem implementadas, especialmente aquelas que exigirem mudanças na Constituição ou na legislação.