Candidato do PL deu entrevista à jornalista Renata Lo Prete, da TV Globo. Presidente Lula (PT), que tenta a reeleição, foi entrevistado na quinta-feira (15)
O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) concedeu entrevista à TV Globo nesta sexta-feira (16), na qual abordou propostas para a economia, segurança pública, saúde e mudanças no Judiciário. Durante a conversa com a jornalista Renata Lo Prete, o senador afirmou que pretende manter o fim da escala de trabalho 6x1, declarou que deseja exercer apenas um mandato presidencial e comentou investigações envolvendo políticos aliados no Rio de Janeiro.
A entrevista faz parte da cobertura do segundo turno das eleições de 2026, que tem Flávio como adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao longo da conversa, o candidato também foi questionado sobre o financiamento do filme Dark Horse, a participação de familiares em um eventual governo e sua posição sobre os ataques de 8 de janeiro de 2023.
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FIM DA ESCALA 6X1
Flávio afirmou que mudou de posição sobre o fim da escala 6x1 depois de ouvir trabalhadores durante viagens pelo Brasil. Antes, o senador havia criticado a proposta, classificando-a como eleitoreira e oportunista. Na entrevista, porém, declarou que respeitará a decisão do Congresso Nacional.

“Eu rodei o Brasil inteiro, ouvi muitos trabalhadores e votei conforme o que vi nas ruas”, afirmou. O candidato acrescentou que pretende garantir o dia adicional de descanso e, ao mesmo tempo, trabalhar para recuperar o poder de compra da população e melhorar a segurança nas ruas.
Flávio também reconheceu que a folga adicional, isoladamente, não resolve problemas como o endividamento das famílias, o custo de vida e a violência. Ele disse que pretende combinar a manutenção da medida com políticas voltadas à economia e à segurança pública.
PROPOSTA DE AJUSTE FISCAL
Na área econômica, o candidato afirmou que pretende promover um ajuste fiscal de R$ 200 bilhões. Entre as medidas citadas estão o corte de pelo menos dez ministérios, o combate à corrupção e à má gestão em empresas estatais, além da venda de imóveis pertencentes à União.
Flávio também mencionou a securitização de dívidas que o governo tem a receber e a exploração de petróleo na Margem Equatorial como alternativas para ampliar as receitas públicas. Segundo ele, a intenção é equilibrar as contas sem retirar direitos sociais ou reduzir investimentos obrigatórios.
O senador prometeu manter o aumento real do salário mínimo, acima da inflação, e afirmou que não pretende desvincular o reajuste das aposentadorias do piso salarial. Também negou que planeje acabar com os pisos constitucionais de investimento em saúde e educação.
CRÍTICAS AO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
Durante a entrevista, Flávio defendeu uma reforma do Judiciário para recuperar a credibilidade das instituições. Ele criticou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acusando-o de perseguir adversários políticos e de tomar decisões com suposta motivação partidária.

O candidato também defendeu o impeachment de ministros por crimes de responsabilidade. Questionado sobre suspeitas envolvendo Kassio Nunes Marques, indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, e possíveis vínculos com o caso Banco Master, Flávio afirmou que as suspeitas devem ser investigadas e declarou que todos precisam estar sujeitos à lei.
As declarações fazem parte das críticas recorrentes do senador ao Supremo. As acusações apresentadas por ele durante a entrevista são posicionamentos políticos e não devem ser confundidas, por si só, com conclusões judiciais.
FINANCIAMENTO DO FILME “DARK HORSE”
Outro assunto abordado foi o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro. Flávio foi questionado sobre o pedido de R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, embora o custo informado da produção fosse de R$ 75 milhões.

O senador afirmou que procurou diferentes investidores antes de negociar com Vorcaro e sustentou que o contrato não foi cumprido. Segundo ele, os recursos recebidos permitiram concluir o filme e os gastos dependiam de autorização do fundo responsável pelo financiamento.
Flávio negou ter oferecido contrapartidas relacionadas ao mandato parlamentar em troca dos recursos. O caso, no entanto, é alvo de investigação da Polícia Federal, que apura possíveis crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas. A investigação ainda deve esclarecer a destinação dos valores e as circunstâncias do financiamento.
PAI E IRMÃO FORA DE EVENTUAL GOVERNO
Ao ser questionado sobre a possibilidade de nomear Jair Bolsonaro para um cargo em um eventual governo, Flávio afirmou que não conversou com o pai sobre o assunto e disse que a hipótese “não está no radar”. O ex-presidente está preso e cumpre pena de 27 anos por sua condenação relacionada à tentativa de golpe de Estado.
O candidato classificou o julgamento do pai como uma “farsa” e voltou a defender sua posição. Também descartou nomear o irmão Eduardo Bolsonaro para o Ministério das Relações Exteriores, afirmando que ele não será seu chanceler caso vença a eleição.
Flávio declarou ainda que não apoiaria mudanças nas regras eleitorais para facilitar uma futura candidatura de familiares à Presidência. Sobre sua própria permanência no cargo, reiterou que pretende exercer apenas um mandato e defendeu o fim da reeleição presidencial.
ALIADOS INVESTIGADOS NO RIO DE JANEIRO
O senador afirmou ter ficado surpreso com investigações e prisões envolvendo políticos aliados no Rio de Janeiro. Entre os nomes citados estão Márcio Canella, do União Brasil, suspeito de lavagem de dinheiro e ligação com milícias, e Rodrigo Bacellar, também do União Brasil, investigado por suposta ligação com o Comando Vermelho. As suspeitas devem ser apuradas pelas autoridades competentes.
Flávio também comentou a situação do ex-governador Cláudio Castro (PL), que ficou inelegível por abuso de poder em decisão da Justiça Eleitoral. O candidato afirmou que os investigados têm direito à defesa, mas ressaltou que quem cometer irregularidades deverá responder por seus atos.
ATOS DE 8 DE JANEIRO E SEGURANÇA PÚBLICA
Questionado sobre os ataques de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores de Jair Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília, Flávio afirmou que as punições devem ser proporcionais aos crimes cometidos. Ele condenou a depredação do patrimônio público e as agressões contra policiais, mas questionou a classificação dos atos como tentativa de golpe de Estado.

O candidato também foi perguntado se respeitará o resultado das urnas caso seja derrotado no segundo turno. Em resposta, afirmou que disputará a eleição conforme as regras vigentes e que aceitará o resultado, independentemente de qual seja.
Na área de segurança, defendeu ampliar o acesso da população a armas de fogo dentro dos requisitos legais e criticou o Estatuto do Desarmamento. Também prometeu reunir comandantes das Forças Armadas e chefes das polícias estaduais para intensificar o combate ao narcotráfico, incluindo ações nas fronteiras e maior participação dos militares.
PROPOSTAS PARA A SAÚDE
Flávio afirmou que pretende ampliar o uso da telemedicina no Sistema Único de Saúde (SUS) e criar um prontuário eletrônico único, capaz de integrar informações das redes municipal, estadual, federal e privada. Segundo ele, a medida facilitaria o acompanhamento dos pacientes e o compartilhamento de dados entre os serviços de saúde.

Fotos: Reprodução
O candidato também disse que daria autonomia ao ministro da Saúde para adotar medidas necessárias em situações de emergência sanitária. A declaração ocorreu após ser questionado sobre a possibilidade de nomear o médico Cláudio Lottenberg, ex-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, para comandar a pasta.
PROMESSA DE APENAS UM MANDATO
Ao falar sobre a duração de um eventual governo, Flávio reiterou que não pretende disputar a reeleição. Ele defendeu uma proposta para acabar com a possibilidade de um segundo mandato presidencial, mas explicou que a definição sobre a duração do mandato dependerá da tramitação de uma proposta de emenda à Constituição no Congresso Nacional.
“Eu só preciso de um mandato, eu só quero um mandato para começar a consertar o nosso país de verdade”, afirmou o candidato durante a entrevista.
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Ao encerrar a conversa, Flávio apresentou três compromissos aos eleitores: não prometer o que não pode cumprir, reorganizar a economia e ampliar a segurança pública. Ele também criticou Lula e pediu apoio para o segundo turno, marcado para o dia 25 de outubro.