Ex-professoras universitárias e startup criam jornada para estimular propósito, autoconhecimento e novos projetos na maturidade
Chegar aos 60, 70, 80 anos ou mais não significa ter a história concluída. Para as ex-professoras universitárias Mary Helena Koifman e Luiza Rebelo, ambas com mais de 70, reconhecer o que já foi construído ao longo da vida e continuar fazendo planos, descobrindo interesses e estabelecendo novos objetivos também faz parte de viver bem a maturidade.
Foi a partir dessa visão que as duas idealizaram, em parceria com a startup Happy Sênior, a Jornada Florescer 60+, um ciclo de quatro encontros que inicia no próximo dia 23 de outubro, voltado ao autoconhecimento, reconhecimento das forças pessoais, valorização da própria trajetória e construção de novos capítulos de vida.
Para Mary Helena Koifman, especialista em desenvolvimento humano e psicologia positiva, olhar para o futuro na maturidade não significa ignorar ou abandonar o passado. Pelo contrário. “Quando uma pessoa olha para a própria trajetória, consegue reconhecer recursos que construiu ao longo da vida: forças, aprendizados, escolhas e até dificuldades que conseguiu atravessar. Esse repertório não pertence apenas ao passado. Ele pode ser usado para fazer novas escolhas e construir os próximos capítulos com mais consciência e sentido”, afirma.
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Já Luiza Rebelo, consultora com mais de 40 anos de atuação em desenvolvimento profissional e pessoal, reforça que novos projetos não precisam estar associados a grandes mudanças ou realizações extraordinárias.
“Ter planos é continuar se percebendo como alguém que pode escolher. Indo desde aprender alguma coisa nova, retomar um interesse, conhecer pessoas, fazer uma viagem, começar um projeto até simplesmente decidir como se quer viver esta fase. Envelhecer não elimina possibilidades. A maturidade traz mais experiência para escolher o que realmente faz sentido”, diz.
RESPALDO E EVIDÊNCIAS
A discussão encontra respaldo em evidências recentes. Atualização publicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em julho deste ano destaca que a saúde mental das pessoas mais velhas é influenciada não apenas por condições físicas e sociais, mas também pelas experiências acumuladas ao longo da vida e por situações como luto, redução de renda e perda de senso de propósito após a aposentadoria. A entidade afirma ainda que atividades sociais significativas podem favorecer a saúde mental, a satisfação pessoal e a qualidade de vida.
O tema também vem sendo investigado em estudos sobre envelhecimento. Pesquisa longitudinal publicada em 2025, com 9.808 pessoas de 65 anos ou mais encontrou associação entre a manutenção de um maior senso de propósito e declínio cognitivo mais lento ao longo do tempo. Outro estudo, com 5.579 participantes, relacionou maior propósito de vida a melhores resultados em memória subjetiva, fluência verbal e funcionamento cognitivo global.
Um relatório da Comissão da OMS sobre Conexão Social, publicado no ano passado, também chama atenção para a dimensão social da saúde. Segundo o documento, conexão, pertencimento e relações significativas contribuem para uma vida com mais sentido e bem-estar, enquanto comunidades e programas sociais podem criar oportunidades para que as pessoas continuem participando, aprendendo e se relacionando ao longo da vida.
Para Luiza, essas discussões também ajudam a combater uma ideia ainda presente sobre o envelhecimento: a de que chegar a determinada idade significa diminuir expectativas em relação ao futuro.
“Uma pessoa madura carrega uma história inteira, mas continua tendo desejos, curiosidade, interesses e capacidade de aprender. O futuro não deixa de existir porque os anos passaram. Ele apenas passa a ser construído a partir de uma bagagem muito maior”, afirma.
ENXERGAR O PASSADO COM OLHAR NO FUTURO
A Jornada Florescer 60+ foi estruturada em quatro encontros on-line, a partir de 23 de outubro, com duração de 1h30 cada, sendo um por semana, sempre às sextas-feiras. Em cada etapa, Mary e Luiza vão combinar uma breve introdução ao tema, uma atividade de reflexão e um momento de partilha entre os participantes.
Mais do que transmitir conteúdos, a proposta é criar um espaço em que cada participante possa olhar para a própria trajetória sem ficar preso a ela.
“Não estamos propondo voltar ao passado para viver de lembranças. A pergunta é outra: o que eu construí ao longo da minha história e o que quero fazer com tudo isso daqui para frente? É desse lugar que nasce a ideia de florescer”, explica Mary.
Para Yndira Assayag, fundadora da Happy Sênior, a Jornada amplia uma proposta que já orienta as experiências desenvolvidas pela startup com o público 60+: estimular convivência, aprendizado, protagonismo e novas possibilidades na maturidade.
“Envelhecer não encerra desejos, escolhas ou projetos. A pessoa chega aos 60, 70, 80 ou mais carregando grande experiência e ainda tem muito para descobrir, construir e viver. A Jornada nasce dessa convicção: a história continua sendo escrita”, afirma.
SERVIÇO
Jornada Florescer 60+ – Reescrevendo minha história com propósito
Formato: on-line, via Google Meet
Duração: quatro encontros, a partir de 23.10, sempre às sextas, às 18h
Facilitadoras: Mary Koifman e Luiza Rebelo
Investimento: R$ 120 pelo ciclo completo
Informações: 92 98639-6462