O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que aumentos bruscos nos preços de produtos essenciais, como alimentos e energia, podem se tornar mais frequentes e prolongar os efeitos da inflação por vários anos. Segundo a instituição, essas crises pressionam o custo de vida, agravam a pobreza e representam riscos para a estabilidade econômica mundial.
O alerta consta de um estudo que analisou medidas adotadas por governos ao longo de três décadas para enfrentar aumentos repentinos de preços. O levantamento destaca que episódios desse tipo, antes considerados menos frequentes, passaram a se repetir nos últimos cinco anos, em meio a conflitos internacionais e interrupções no abastecimento.
De acordo com o FMI, as crises do custo de vida elevam as expectativas de inflação no curto e médio prazo, e esses efeitos podem persistir mesmo três anos após o início dos aumentos. A situação também pode levar bancos centrais a manter juros elevados ou adotar novas medidas para conter a alta dos preços.
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O estudo também aponta que o impacto da inflação é mais severo para as famílias de baixa renda, que destinam uma parcela maior do orçamento à compra de alimentos, energia e outros itens básicos. Com uma nova metodologia de cálculo, o fundo estimou que, entre 2021 e 2024, havia 23 milhões de pessoas a mais em situação de extrema pobreza do que indicavam as estimativas baseadas no método tradicional.
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Para reduzir os efeitos dessas crises, o FMI recomenda transferências de renda direcionadas às famílias mais vulneráveis. Segundo a instituição, medidas generalizadas, como controles de preços e redução de impostos sobre o consumo, podem custar mais caro aos cofres públicos, enquanto subsídios aos produtores podem ter custos ainda maiores. O fundo defende que a ajuda seja concentrada em quem mais precisa, sem comprometer a estabilidade econômica.