Estudo aponta que animal marinho pré-histórico já apresentava lateralização comportamental milhões de anos antes dos seres humanos.
Uma pesquisa publicada na revista Scientific Reports revelou a evidência mais antiga já registrada de lateralização comportamental em um animal. O estudo indica que a Spriggina floundersi, espécie marinha que viveu há cerca de 550 milhões de anos, apresentava uma tendência natural de curvar o corpo para o lado direito.
A descoberta foi feita após a análise de mais de 100 fósseis encontrados no sul da Austrália. Desses, 76 exemplares foram examinados em detalhes por meio de fotografias, moldes e escaneamentos tridimensionais, permitindo aos pesquisadores identificar um padrão consistente de movimento.
Os cientistas observaram que aproximadamente 70% dos fósseis apresentavam curvaturas corporais, sendo as voltadas para a direita cerca de duas vezes mais frequentes do que as inclinadas para a esquerda. A equipe também descartou que esse comportamento fosse resultado de correntes marinhas ou do processo de fossilização, concluindo que as marcas refletem movimentos realizados pelo próprio organismo.
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Segundo os pesquisadores, o achado demonstra que a lateralização característica relacionada à preferência por um dos lados do corpo surgiu muito antes do aparecimento dos animais modernos. No entanto, eles ressaltam que a descoberta não explica a predominância de pessoas destras na atualidade, nem indica que a Spriggina floundersi seja uma ancestral direta dos seres humanos.
O estudo ainda sugere que esse antigo organismo possuía musculatura capaz de executar movimentos coordenados e um sistema de controle nervoso relativamente desenvolvido para a época, embora essas estruturas não possam ser observadas diretamente nos fósseis.
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A pesquisa amplia o conhecimento sobre a evolução dos primeiros animais com simetria bilateral e oferece novas pistas sobre o desenvolvimento dos comportamentos motores ao longo da história da vida na Terra.