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França enfrenta onda de violência em protestos contra custo de vida; 272 pessoas são presas. VEJA VÍDEOS
Foto: Divulgação

Manifestações se espalharam por Paris e outras cidades, com barricadas em chamas, depredações e confrontos com a polícia; mobilização começou com reivindicações na educação e ganhou força contra a desigualdade social

A França viveu um sábado (17) marcado por tensão e confrontos durante uma nova onda de protestos populares. As manifestações reuniram estudantes, trabalhadores e integrantes do movimento dos “coletes amarelos” em Paris e em outras cidades do país. A mobilização, que começou com reivindicações por melhorias na educação pública, ampliou o foco e passou a expressar a insatisfação com o alto custo de vida, a perda do poder de compra e a desigualdade social.

 

Os atos foram marcados por confrontos entre manifestantes e forças de segurança, barricadas incendiadas e episódios de depredação. Segundo os dados divulgados pelas autoridades, pelo menos 272 pessoas foram presas durante os distúrbios.

 

A atual onda de mobilizações teve início no mês passado, quando estudantes de escolas de ensino médio em bairros de baixa renda da periferia norte de Paris foram às ruas para exigir a contratação de mais professores e melhorias na infraestrutura das instituições.

 

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Com o passar das semanas, as reivindicações ultrapassaram o ambiente escolar. A insatisfação se espalhou entre diferentes grupos sociais, que passaram a denunciar a redução do poder de compra, a desigualdade e a gestão dos recursos públicos.

 

A participação de integrantes dos “coletes amarelos”, movimento que ganhou força na França em 2018 por causa do custo de vida e dos preços dos combustíveis, reforçou o caráter nacional dos protestos. A presença de diferentes setores da sociedade transformou as manifestações em um novo desafio para o governo do presidente Emmanuel Macron.

 

POLÍCIA REFORÇA SEGURANÇA E FECHA PONTOS TURÍSTICOS DE PARIS

 

O Ministério do Interior francês relatou episódios de violência durante as manifestações, incluindo agressões contra profissionais da imprensa e tentativas de saques a estabelecimentos comerciais.

 

Em Paris, as autoridades reforçaram a segurança em áreas turísticas e determinaram o fechamento da avenida Champs-Élysées e do entorno do Arco do Triunfo, retirando esses locais dos trajetos autorizados para os atos.

 

Mesmo com as restrições, bloqueios de vias e confrontos se espalharam pela capital. A polícia utilizou gás lacrimogêneo para dispersar grupos de manifestantes.

 

Fora de Paris, a tensão também marcou o sábado. Até o meio-dia, o governo contabilizou 140 manifestações em outras regiões francesas, que reuniram aproximadamente 32,8 mil pessoas.

 

Em Marselha, a sede da prefeitura foi depredada, levando as autoridades a enviarem reforços policiais. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, discutiu a situação com o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu. Segundo as autoridades, grupos radicais de ultraesquerda estariam envolvidos nos danos registrados na cidade.

 

ADOLESCENTE PERDE A MÃO E DENÚNCIAS CONTRA POLICIAIS SÃO INVESTIGADAS

 

A atuação das forças de segurança também passou a ser questionada após episódios graves durante os protestos. Um adolescente perdeu uma das mãos depois de recolher uma granada de efeito moral. O equipamento havia sido suspenso anteriormente em manifestações estudantis, mas voltou a ser autorizado para os atos do fim de semana.

 

O órgão responsável pela fiscalização da polícia investiga pelo menos 24 denúncias de possíveis abusos cometidos por agentes durante a repressão às manifestações.

 

Ao mesmo tempo, o governo destacou os riscos enfrentados pelas forças de segurança. Segundo o primeiro-ministro, mais de 900 policiais ficaram feridos durante a onda de protestos.

 

MACRON ENFRENTA PRESSÃO POLÍTICA E ECONÔMICA

 

A escalada da violência aumenta a pressão sobre o presidente Emmanuel Macron, que havia feito apelos à calma antes das manifestações. Além da mobilização nas ruas, o chefe de Estado enfrenta dificuldades em um cenário parlamentar fragmentado e em meio a preocupações com a situação econômica do país.

 

As tentativas de conter o crescimento da dívida pública não foram suficientes para afastar a desconfiança dos investidores. O custo de financiamento do governo francês chegou ao nível mais alto em mais de duas décadas, segundo as informações divulgadas.

 

Para os manifestantes, porém, a principal preocupação está no orçamento doméstico. “Nós estamos lutando porque o custo de vida está insuportável”, afirmou Lola, de 19 anos, ao reclamar dos preços dos combustíveis e da violência policial.

 

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A mobilização evidencia o descontentamento de parte da população francesa com as condições econômicas e as políticas do governo. Com protestos em diferentes regiões e denúncias sobre a atuação policial, a crise representa mais um desafio para Macron em meio às dificuldades políticas e financeiras enfrentadas pelo país. 

 

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