NOTÍCIAS
Meio Ambiente
Fumaça de queimadas muda direção dos ventos e deixa Manaus sob forte poluição
Foto: Divulgação

Plumas de incêndios no sul do Amazonas, Rondônia e Mato Grosso chegaram à capital; falta de chuva dificulta a dispersão dos poluentes

Manaus amanheceu novamente coberta por fumaça nesta segunda-feira (8/9), com moradores de diferentes bairros relatando cheiro de queimadas e dificuldade para respirar em alguns pontos da cidade. Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva) indicaram qualidade do ar classificada como moderada na maioria das estações de monitoramento, enquanto alguns locais registraram nível considerado ruim.

 

A presença da fumaça em setembro não é novidade para os moradores da capital, já que o período é marcado por temperaturas elevadas e menor ocorrência de chuvas. Apesar de queimadas registradas na região metropolitana, como a que ocorre na zona rural de Manacapuru, a origem das partículas que atingiram Manaus está principalmente em áreas mais distantes.

 

Segundo o pesquisador Fábio Nunes, do Laboratório de Clima da Universidade do Estado do Amazonas (Labclim/UEA), as plumas de fumaça são provenientes de queimadas no sul do Amazonas, sul de Rondônia e norte de Mato Grosso.

 

Veja também 

 

Brasil está entre as regiões que podem ficar mais secas até 2100, aponta estudo

 

Incêndio criminoso avança há três dias na estrada de Novo Airão, sufoca motoristas e deixa ar irrespirável no Amazonas

 

A chegada do material particulado à capital está relacionada à mudança no padrão dos ventos provocada pelo avanço de uma frente fria pelo centro-sul do país. O fenômeno alterou temporariamente a circulação atmosférica e favoreceu o deslocamento das plumas em direção a Manaus.

 

Nunes explica que, normalmente, predominam na região ventos de leste e nordeste. Com a passagem da frente fria, o fluxo passou a apresentar componentes de sul e sudeste nos níveis mais baixos da atmosfera, criando uma rota favorável para que a fumaça das áreas de queimadas alcançasse o Amazonas.

 

A expectativa é de que essa condição diminua à medida que a frente fria perca força. No entanto, o pesquisador alerta que novos episódios semelhantes podem provocar novamente a mudança na direção dos ventos e transportar fumaça para a capital.

 

Pode-se observar a predominância do ventos leste/nordeste no inicio, mas nos últimos dias, devido a essa avanço da frente fria acabou empurrando mais a pluma para a região Norte

Foto: Reprodução

 

ESTIAGEM AGRAVA A SITUAÇÃO

 

A falta de chuva também contribui para a permanência dos poluentes na atmosfera. Sem precipitações frequentes, partículas e gases permanecem por mais tempo suspensos no ar, prejudicando a qualidade atmosférica.

 

A engenheira florestal e mestre em clima e ambiente Samanta Lacerda explica que as queimadas aumentam a concentração de diferentes poluentes, especialmente do material particulado fino, conhecido como PM2,5.

 

Esse tipo de partícula pode permanecer suspenso na atmosfera e se espalhar por grandes distâncias. Em períodos chuvosos, parte desses poluentes é removida naturalmente por meio da chamada deposição úmida, quando partículas e gases são incorporados às gotas de água e posteriormente levados para a superfície.

 

Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.

Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram

 

Com a estiagem, esse mecanismo de limpeza natural fica reduzido, favorecendo a concentração da fumaça e mantendo a qualidade do ar em níveis mais baixos na capital amazonense. 

LEIA MAIS
DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Mensagem:

Copyright © 2013 - 2026. Portal do Zacarias - Todos os direitos reservados.