Qualidade do ar alterou rotina de esportistas na Vila Olímpica; atletas mudaram horários, reduziram atividades e relatam dificuldade para respirar e mal-estar durante os treinos
A fumaça que encobriu Manaus nos últimos dias também chegou aos treinos dos atletas de alto rendimento. Na Vila Olímpica, esportistas precisaram mudar horários, reduzir atividades e redobrar os cuidados por causa da qualidade do ar.
Para alguns, o problema deixou de ser apenas um incômodo e passou a afetar diretamente o desempenho e a saúde durante os exercícios.
No lançamento de dardo, a atleta Maria Paula sentiu os efeitos durante um treinamento.
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Ela teve dor de cabeça, mal-estar e alteração na pressão. A situação provocou tontura e chegou a causar medo de que algo mais grave acontecesse.
— Isso me afetou tanto que eu tive dor de cabeça e fiquei com receio de ter uma parada. Eu estava fazendo o treino e já me sentia mal por conta de inalar isso, relatou.
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Maria Paula - Atleta de lançamento de dardo
(Foto: Larry Wilcox - Rede Amazônica)
A fumaça também mudou a rotina do paratleta Brendow Christian, conhecido como "Demolidor". Tricampeão brasileiro no lançamento de dardo da classe F12, destinada a atletas com baixa visão, ele deixou de treinar no período da tarde e passou a fazer as atividades à noite.
A mudança aconteceu depois que Brendow começou a sentir uma inflamação na garganta e dificuldade para respirar.
— Estou começando a ter uma inflamação na garganta. Acredito que muito proveniente da fumaça. Por conta desse ambiente, a gente fica inalando o ar e tem dificuldade para respirar, contou.
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Brendow Christian (Foto: Divulgação)
O problema ganha uma dimensão maior entre atletas de alto rendimento porque a intensidade dos exercícios aumenta significativamente a respiração.
Com mais ar entrando nos pulmões durante os treinos, também aumenta a exposição aos poluentes presentes na atmosfera.
Segundo o infectologista Nelson Barbosa, essa combinação pode provocar irritação nas vias respiratórias.
— No treinamento, eles respiram muito mais. Eles inalam muito mais ar para dentro dos pulmões. A quantidade de ar inalada vai juntamente com os poluentes, e isso vai causar uma irritação, explicou.
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Nelson Barbosa - Médico Infectologista
(Foto: Larry Wilcox - Rede Amazônica)
A situação ficou ainda mais evidente nesta quarta-feira (7), quando Manaus amanheceu novamente coberta de fumaça. Um incêndio no Distrito Industrial atingiu uma área de mais de 15 mil metros quadrados. O trabalho para controlar as chamas poderia durar entre 24 e 48 horas.
Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), apontaram que, às 6h20, a qualidade do ar variava entre moderada e ruim na capital.
Dos pontos monitorados pelo sistema, 11 registravam qualidade moderada e três apresentavam índices considerados ruins. Morro da Liberdade, Compensa e a região de Nossa Senhora das Graças estavam entre os locais com pior situação.
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Incêndio em vegetação continua com poucos focos ativos
pela manhã após se intensificar durante a noite em Manaus
(Foto: William Duarte/Rede Amazônica)
Na região de Nossa Senhora das Graças, a concentração de partículas chegou a 74,3 microgramas por metro cúbico (µg/m³). A qualidade do ar é considerada boa quando a concentração de partículas fica entre 0 e 25 µg/m³.
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Com a fumaça persistindo sobre a capital, a rotina de quem depende do corpo em alto rendimento precisou ser adaptada. Horários foram alterados, atividades reduzidas e os cuidados redobrados para que os atletas continuem treinando mesmo diante das condições adversas.