Denúncias incluem áudios com ameaças de envenenamento e suspeita de incêndio criminoso; ministérios federais formaram uma força-tarefa para apurar os casos.
A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) acionou a Polícia Federal (PF) para investigar denúncias de ameaças e ataques contra comunidades indígenas no Mato Grosso do Sul. Os episódios teriam se intensificado após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro, que confirmou a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Entre as denúncias estão áudios que circularam em grupos de WhatsApp com mensagens de violência contra os povos indígenas. Em uma das gravações, atribuída a um servidor do município de Tacuru, um homem afirma: “Tem que ponhar veneno na água, tem que matar essas pragas na água”. O material foi divulgado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).
As denúncias também incluem episódios de incêndio, entre eles o caso envolvendo a rezadeira indígena Ñandesy Roberta, de 90 anos, na aldeia Jaguapiré, em Tacuru, município localizado a cerca de 427 quilômetros de Campo Grande. A Apib afirma que o incêndio foi criminoso.
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Diante da gravidade dos relatos, a organização indígena cobrou providências das autoridades e a responsabilização dos envolvidos.
“Repudiamos todos estes acontecimentos e cobramos de todas as autoridades [públicas] competentes que nos ajudem investigando as pessoas, para que os responsáveis sejam punidos na forma da lei”, declarou Voninho Guarani Kaiowá, um dos coordenadores da Apib.
FORÇA-TAREFA PARA INVESTIGAR AS DENÚNCIAS
Os ministérios dos Povos Indígenas, dos Direitos Humanos e da Igualdade Racial organizaram uma força-tarefa para acompanhar as denúncias e apurar as ameaças contra as comunidades indígenas.
O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, informou que acionou a Polícia Federal na segunda-feira (26). A medida busca viabilizar a investigação dos episódios relatados e identificar os possíveis responsáveis.
Uma comitiva de ministros também foi ao Mato Grosso do Sul para ouvir representantes das comunidades indígenas sobre as ameaças e discutir medidas para enfrentar as práticas criminosas.
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A mobilização do governo federal ocorre em meio à preocupação com a segurança dos povos indígenas no estado. As autoridades foram acionadas para investigar os casos e tomar providências diante das denúncias.