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Fundação Amazônia Sustentável completa quase 20 anos defendendo desenvolvimento com responsabilidade ambiental
Foto: Reproduçao

Para Virgílio Viana, bioeconomia, crédito de carbono e até mineração podem gerar prosperidade, desde que com regras claras e foco nas comunidades.

Idealizador da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), o engenheiro florestal Virgílio Viana fez um balanço dos quase 20 anos de atuação da organização destacando dois grandes legados: resultados concretos em centenas de comunidades da Amazônia e a manutenção da esperança diante da crise climática que atinge a região.

 

Segundo Viana, a Amazônia vive uma emergência ambiental marcada por eventos extremos. Nos últimos anos, a região enfrentou cheias históricas (2021 e 2022) e secas recordes (2023 e 2024), o que reforça a necessidade de fortalecer a resiliência das populações locais.

 

Primeira organização sem fins lucrativos a aprovar projeto no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social com recursos do Fundo Amazônia, a FAS atua hoje em 798 comunidades, beneficiando mais de 21,3 mil famílias ribeirinhas, indígenas e quilombolas.

 

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As ações abrangem desde saúde e educação até empreendedorismo, energia solar, acesso à água potável e fortalecimento da bioeconomia. Entre os exemplos citados está a usina solar “Gelo Caboclo”, que produz gelo para pescadores, permitindo aumento significativo da renda com espécies como jaraqui, matrinxã e tambaqui.

 

A instituição também implantou núcleos educacionais, telemedicina em áreas remotas e projetos de conectividade digital. Segundo Viana, as iniciativas têm dupla função: resolver problemas locais e inspirar políticas públicas mais eficazes.

 

Apesar dos avanços, o dirigente aponta obstáculos significativos. A logística é o primeiro deles, já que muitas comunidades estão a vários dias de viagem de Manaus. Há ainda desafios econômicos, como custos elevados de transporte e infraestrutura limitada de energia e água, além da necessidade de aprimorar a gestão de empreendimentos nas comunidades tradicionais.

 

Para ele, desenvolvimento sustentável exige planejamento de longo prazo, profissionalização da gestão e políticas públicas voltadas também à produção, não apenas ao consumo básico de energia.

 

Viana vê na bioeconomia uma oportunidade estratégica para o Amazonas, especialmente no contexto da reforma tributária e da Zona Franca de Manaus. A FAS participa de iniciativas que destinam R$ 120 milhões para a criação de polos de bioeconomia na Amazônia, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e cooperação internacional.

 

Ele acredita que há espaço para ampliar a integração entre os recursos de pesquisa e desenvolvimento da Zona Franca e cadeias produtivas sustentáveis baseadas na floresta, como óleos vegetais, turismo de base comunitária e alimentos regionais.

 

Outro eixo com grande potencial, segundo o ambientalista, é o mercado de crédito de carbono. Ele defende a consolidação de um marco regulatório mais estável e transparente, capaz de reduzir insegurança jurídica e evitar especulação.

 

Na avaliação de Viana, se bem estruturado, o mercado pode se tornar fonte relevante de investimentos para água potável, energia solar, educação e geração de renda nas comunidades que mantêm a floresta em pé.

 

Questionado sobre a expansão de empreendimentos minerais e de petróleo e gás, Viana afirma que é possível conciliar exploração e sustentabilidade, desde que haja mudança de paradigma. Para ele, atividades como mineração precisam funcionar como vetor de desenvolvimento regional, com maior transparência no uso de tributos e investimentos estruturantes de longo prazo.

 

Ele também defende aperfeiçoamento e não enfraquecimento do licenciamento ambiental, destacando que modernização não pode significar desmonte da política ambiental.

 

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Ao sintetizar sua visão, Viana sustenta que o futuro da Amazônia passa por responsabilidade ambiental, governança sólida e investimento contínuo nas pessoas que vivem na floresta. 

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