Um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), o cientista político José Álvaro Moisés, morreu nesta sexta-feira, aos 81 anos. Professor titular da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), ele foi vítima de afogamento na Praia de Itamambuca, em Ubatuba, no litoral norte paulista.
De acordo com o Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar), Moisés foi encontrado inconsciente na faixa de areia. As equipes de resgate realizaram manobras de reanimação ainda no local, mas ele não resistiu.
Apesar de ter sido um dos principais intelectuais envolvidos na criação do PT, José Álvaro Moisés tornou-se crítico da legenda nos últimos anos. Em 2010, chegou a afirmar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia “passado dos limites”.
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Em entrevista concedida ao Estadão em 2023, o professor declarou que o PT “tinha um vício de achar que, se o protesto era feito por ele, era legítimo, mas se o protesto era contra, era ilegítimo”. Também destacou que a omissão das forças democráticas diante do desgaste do sistema político abriu espaço para o avanço da direita e de setores conservadores nas manifestações de 2013.
A Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP) lamentou a morte do acadêmico por meio das redes sociais, destacando sua trajetória marcada pelo rigor intelectual e pelo compromisso com a vida pública.
Segundo a entidade, Moisés teve papel central na internacionalização da pesquisa brasileira, representando o país em fóruns globais e integrando o Comitê Executivo da Associação Internacional de Ciência Política (IPSA) entre 2011 e 2015, além do Conselho Internacional de Ciências Sociais (ISSC) de 2013 a 2016.
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Além da produção teórica sobre cultura política e qualidade da democracia, José Álvaro Moisés exerceu funções de liderança na ABCP, sendo o primeiro coordenador da Área Temática de Cultura Política e Democracia, cargo que ocupou entre 2006 e 2012. A morte do professor deixa uma lacuna importante no meio acadêmico e no debate político brasileiro.