Registro raro de Cordyceps em tarântula-golias foi feito na Reserva Ducke, em Manaus, e ganhou repercussão mundial nas redes sociais
Um registro científico raro feito no interior da Floresta Amazônica chamou a atenção da comunidade acadêmica e do público em geral ao mostrar uma tarântula-golias (Theraphosa blondi), considerada a maior aranha do planeta, completamente infectada por um fungo do gênero Cordyceps. As imagens, que rapidamente se espalharam pelas redes sociais, ultrapassaram milhões de visualizações e despertaram curiosidade pelo fenômeno natural que lembra, à primeira vista, a ficção retratada na série The Last of Us.
O flagrante ocorreu na Reserva Florestal Adolpho Ducke, localizada nas proximidades de Manaus, durante atividades de campo do Tropical Mycology Field Course, curso intensivo voltado ao estudo de fungos tropicais. A identificação tanto do fungo — Cordyceps caloceroides — quanto da aranha foi realizada pela estudante de Ciências Ambientais Lara Fritzsche, da Universidade de Copenhague, que participava da expedição científica ao lado de pesquisadores brasileiros e dinamarqueses.
As imagens foram captadas pelo pesquisador Elisandro Ricardo Drechsler-Santos, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). No vídeo, a tarântula aparece imóvel, com o corpo coberto por uma estrutura rígida de coloração avermelhada e extremidades alaranjadas, evidenciando a fase final da infecção fúngica. Segundo o pesquisador, nesse estágio o fungo já consumiu completamente os tecidos internos do animal e emerge externamente para iniciar seu ciclo reprodutivo.
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De acordo com Drechsler-Santos, após dominar o organismo do hospedeiro, o fungo libera esporos no ambiente, que podem infectar outros indivíduos da mesma espécie. Apesar de interações desse tipo fazerem parte do equilíbrio natural dos ecossistemas amazônicos, o pesquisador destaca que registros visuais tão claros são extremamente raros, especialmente envolvendo uma espécie de grande porte como a tarântula-golias.
O fenômeno ganhou popularidade por sua semelhança com a narrativa da série The Last of Us, na qual uma versão fictícia e mutante do fungo seria capaz de infectar seres humanos e controlar seus comportamentos. Na natureza, porém, os fungos do gênero Cordyceps atuam exclusivamente sobre invertebrados, principalmente artrópodes como formigas, besouros, lagartas, grilos e aranhas.
Estudos científicos apontam que os esporos do fungo aderem ao exoesqueleto do hospedeiro, germinam e penetram no corpo por meio da liberação de enzimas e da pressão mecânica. A partir disso, o microrganismo se desenvolve internamente e pode interferir no sistema nervoso do animal, induzindo comportamentos que favorecem sua dispersão e reprodução.
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Especialistas reforçam que, apesar da repercussão na cultura pop e do aspecto impressionante do fenômeno, não há qualquer evidência científica de risco para seres humanos, tratando-se de uma interação natural que evidencia a complexidade e a riqueza biológica da Amazônia.
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