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Fungos encontrados em lagarta que destrói lavouras podem ajudar a eliminar isopor
Foto: Divulgação

Descoberta de pesquisadores brasileiros abre caminho para novas soluções no combate à poluição causada por plásticos de difícil decomposição.

Uma pesquisa desenvolvida por cientistas brasileiros revelou que uma lagarta considerada uma das maiores pragas da agricultura pode esconder uma importante solução para um dos maiores problemas ambientais da atualidade. Fungos presentes no intestino da Helicoverpa armigera, conhecida por atacar plantações de soja, milho e algodão, demonstraram capacidade de degradar o poliestireno expandido, material popularmente conhecido como isopor.

 

O estudo, realizado por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), foi publicado na revista científica BMC Microbiology e investigou o comportamento de micro-organismos encontrados no sistema digestivo da lagarta.

 

Durante os experimentos, os insetos foram divididos em três grupos: um alimentado apenas com isopor, outro com uma dieta composta por metade de isopor e metade de alimento convencional, e um terceiro que recebeu apenas a alimentação tradicional. A partir dessas análises, os pesquisadores isolaram quatro fungos Aspergillus, Talaromyces e duas espécies de Penicillium.

 

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Em seguida, os fungos foram cultivados diretamente sobre placas de isopor durante um período de 60 dias. Os cientistas observaram que os micro-organismos cresceram sobre o material e provocaram alterações em sua superfície, indicando que utilizaram o poliestireno como fonte de carbono para seu desenvolvimento.

 

Segundo os pesquisadores, as espécies Aspergillus e Talaromyces apresentaram maior eficiência no processo de degradação, enquanto as demais promoveram mudanças mais discretas na estrutura do material.

 

Apesar dos resultados promissores, os cientistas ressaltam que ainda será necessário aprofundar os estudos para confirmar se o isopor é totalmente degradado ou apenas transformado em partículas menores, como nanoplásticos.

 

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A próxima etapa da pesquisa prevê o cultivo de colônias maiores desses fungos e a realização de novos testes para ampliar sua capacidade de decomposição, o que poderá contribuir futuramente para o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis destinadas ao tratamento de resíduos plásticos e à redução dos impactos ambientais causados pelo descarte de isopor. 

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