Alta de R$ 0,30 no litro surpreende motoristas, enquanto Procon-AM e ANP apuram possível aumento abusivo nos postos da capital.
Os motoristas de Manaus foram surpreendidos nesta terça-feira (14) por um novo aumento no preço da gasolina. Em diversos postos de combustíveis da capital amazonense, o litro passou de R$ 6,99 para até R$ 7,29, representando um reajuste de R$ 0,30 de uma só vez. No entanto, a elevação não ocorreu de forma uniforme, já que alguns estabelecimentos continuam vendendo o combustível pelo preço antigo.
A diferença de valores entre postos localizados em diferentes regiões da cidade chamou a atenção dos consumidores e motivou a atuação dos órgãos de fiscalização, principalmente porque a Refinaria da Amazônia (Ream) informou que não realizou qualquer reajuste no preço da gasolina fornecida às distribuidoras.
Segundo a Ream, desde sua privatização, em 2022, a empresa adota uma política comercial própria, mas, neste momento, não houve alteração no valor cobrado pelo combustível. Com isso, o aumento praticado por parte da rede de revenda passou a ser alvo de apuração para verificar se houve alguma irregularidade na formação dos preços.
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A alta gerou insatisfação entre os consumidores. A gerente de vendas Vanessa Tolentino afirmou que os reajustes frequentes têm causado indignação entre os motoristas.
"Hoje encontramos postos vendendo a gasolina por R$ 6,99 e outros cobrando R$ 7,29. Como consumidor, a gente se sente prejudicado porque não existe uma explicação clara para essa diferença", relatou.
Durante a apuração da reportagem, gerentes de postos preferiram não comentar os novos preços. Um funcionário, que pediu para não ser identificado, afirmou que o aumento estaria relacionado à valorização do petróleo no mercado internacional após o agravamento das tensões entre Estados Unidos e Irã. Segundo ele, os postos que ainda mantêm o litro a R$ 6,99 estariam comercializando estoques adquiridos antes da alta dos custos.
Enquanto isso, o Governo Federal anunciou medidas para tentar reduzir os impactos das oscilações internacionais sobre o consumidor brasileiro. Entre elas estão o adiamento do fim do subsídio de R$ 0,44 por litro da gasolina e o aumento temporário da mistura obrigatória de etanol anidro no combustível, que passou de 30% para 32% por até 180 dias.
De acordo com o Ministério de Minas e Energia, a ampliação da mistura permitirá reduzir a necessidade de importação de aproximadamente 900 milhões de litros de gasolina por ano, diminuindo a dependência do mercado externo.
Diante da alta registrada em Manaus, o Instituto de Defesa do Consumidor (Procon-AM) informou que abriu uma investigação para apurar as razões do aumento e verificar se houve prática abusiva por parte dos postos.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) também intensificou a fiscalização na capital. As equipes estão recolhendo notas fiscais de compra dos combustíveis, analisando cupons fiscais de venda e verificando se os reajustes aplicados estão de acordo com a legislação.
Caso sejam constatadas irregularidades, os estabelecimentos poderão ser autuados, receber multas que variam de R$ 50 mil a R$ 500 milhões, além de terem os casos encaminhados ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), caso existam indícios de infração à ordem econômica.
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Especialistas apontam que a recente valorização do petróleo Brent, impulsionada pelas tensões no Oriente Médio e pelas incertezas envolvendo o Estreito de Ormuz, exerce pressão sobre os preços dos combustíveis. No entanto, as autoridades destacam que esse fator, por si só, não explica a diferença de valores encontrada entre postos da mesma cidade, motivo pelo qual as investigações continuam em andamento.