O negacionismo climático alimentado por interesses de uma economia imediatista pouco inteligente constitui perigo para a humanidade
O ataque de Donald Trump à Venezuela e a prisão de Nicolás Maduro geram múltiplas interpretações e efeitos, seja pelo intervencionismo político ou pelos interesses econômicos.
A história recente demonstra que esses fatos não representam algo novo. A prisão do ditador panamenho Manuel Noriega, a eliminação de Qassem Soleimani da Guarda Revolucionária Iraniana e o bombardeio das instalações subterrâneas no Irã são práticas que vêm se tornando comuns, contrárias aos preceitos do Direito Internacional e aos poderes do Congresso norte-americano.
Há ainda falta de coerência. Maduro foi aprisionado dois meses após Trump perdoar Juan Hernandez, ex-presidente e chefe do narcotráfico de Honduras, condenado a 45 anos por júri americano. O indulto de Trump gerou imediata ação junto à Interpol por procuradores de Honduras inconformados com a falta de justiça.
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O non-sense das ações de Trump e os golpes contra a ordem internacional ferem a institucionalização praticada no mundo do multilateralismo e do Direito Internacional. Independentemente das razões históricas que não socorrem a Nícolas Maduro, o que aconteceu em Caracas abriu perigoso precedente, com o sequestro de um chefe de Estado, em uma nação soberana. O Le Monde concluiu em editorial que “aqueles que querem encontrar virtudes no martelo americano, enquanto negligenciam seus perigos, lamentarão amargamente sua complacência quando seus próprios interesses, por sua vez, e de forma igualmente arbitrária, forem reduzidos a pó”.
Sobretudo, é imprescindível compreender o que representam tais fatos para a estabilidade geopolítica global. A segurança e a paz são essenciais para se manter o foco nos acordos e financiamentos que visam a proteção da sociedade humana, dos ecossistemas e da biosfera, como esforços para conter o aquecimento global.
O efeito mais imediato do intervencionismo trumpiano é a insegurança, gerando estado de alerta e cautela, que leva as nações a se voltarem umbilicalmente para sua segurança, seja energética, econômica ou de defesa. Acordos multilaterais essenciais à salubridade planetária, como climáticos, passam imediatamente para segundo plano.
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Também sinaliza corrida por petróleo para a obtenção de maior controle do mercado internacional e visando financiar maior crescimento econômico – não desenvolvimento limpo, tanto para a Venezuela como para setores produtivos norte-americanos. Estes se veem ameaçados pela produção de baixo custo energético da China, alimentada em parte por carvão, altamente poluente e cujo consumo aumentará ainda mais a partir do corte de suprimento de petróleo venezuelano.
Fonte: O Eco