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Gigante de cripto vai minerar bitcoin com energia do agro e subsídio estadual; entenda como funciona
Foto: Reprodução

Neste caso, a Tether planeja construir complexos de processamento de dados dedicados à atividade

Empresa de criptomoeda com a maior receita declarada no mundo, a Tether anunciou no início deste mês que irá minerar bitcoins no Brasil usando energia de usinas termelétricas de biogás subsidiadas por Mato Grosso do Sul.Trata-se de uma operação intensiva em eletricidade para realizar as operações matemáticas necessárias na validação de transferências de bitcoins –quem decifra o código primeiro recebe uma criptomoeda como recompensa. Neste caso, a Tether planeja construir complexos de processamento de dados dedicados à atividade.

 

Sediada em El Salvador, um paraíso fiscal das criptomoedas, a Tether é dona desde abril da Adecoagro, uma companhia agrícola argentina, com operações em MS e Minas Gerais. A empresa de tecnologia é mais conhecida por emitir um criptoativo de valor pareado ao dólar, o USDT.

 

A companhia salvadorenha comprou a Adecoagro com uma oferta não solicitada apresentada em 19 de fevereiro, na qual ofereceu US$ 12,41 por ação. Ao fim do negócio, concluído em 29 de abril, a Tether acabou com 70% das ações preferenciais da empresa argentina. Um dos objetivos do gigante das criptos é se tornar o maior minerador de bitcoins do mundo, segundo declaração de seu CEO Paolo Ardoino.

 

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Procuradas, a Tether e a Adecoagro disseram que não iriam comentar. O anúncio informa que detalhes da operação serão divulgados no futuro. Mato Grosso do Sul e os municípios de Ivinhema e Angélica, onde a Adecoagro tem usinas, tampouco responderam aos pedidos de informação sobre o licenciamento dos data centers que serão destinados à mineração de criptomoedas.

 

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Em seu site, a Tether anuncia que a atividade mineradora com energia renovável tem o intuito de reduzir o impacto ambiental da cadeia de suprimentos da economia digital, além de torná-la mais resiliente e descentralizada ao manter pontos de mineração em diferentes partes do mundo.

 

COMO FUNCIONARÁ MINERAÇÃO


O processo é chamado de mineração por causa das semelhanças com a mineração do ouro, diz Marcelo de Castro Cunha Filho, sócio do escritório de advocacia Machado Meyer. "O bitcoin não sai de nenhuma empresa ou de uma pessoa para o recebedor. Ele é gerado mesmo, literalmente, no protocolo [o código da blockchain], e não dá para dizer que é emitido, porque não existe a figura de um emissor identificado", explica.

 

De acordo com o ex-minerador de criptomoedas Alex Telles, a mineração é uma atividade imprevisível, porque depende do desempenho da concorrência, e de rentabilidade instável, devido às oscilações do bitcoin. "A margem de lucro do negócio é muito apertada, é preciso ganhar no volume e ter equipamento de ponta para competir", diz. Ele acrescenta que "é um negócio para peixe grande".

 

Mesmo se tratando da Tether, ele avalia que a margem de lucro da mineração de bitcoins usando eletricidade gerada com resíduos de cana-de-açúcar deve ficar apertada, considerando que é uma fonte de energia cara.

 

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Fotos: Reprodução

 

Entre as fontes renováveis, o biogás tem os piores preços, mostra estudo da EPE (Empresa de Pesquisa Energética) do ano passado. Segundo Telles, hoje as principais operações de criptomoedas ficam na Rússia e no Cazaquistão, que têm gás natural barato. A China era outro polo importante, mas expulsou as mineradoras de lá por causa do alto consumo de eletricidade para o baixo retorno em empregos, além da falta de controle do Estado sobre os criptoativos.

 

A mineração da Tether terá subsídio indireto do programa de fomento de Mato Grosso do Sul, definido por decreto do governador Eduardo Riedel (PSDB-MS). A política, que beneficia a Adecoagro, reduz a base de cálculo do ICMS para a geração do biogás usado nas termelétricas, baixando a carga tributária estadual de 17% para 12%. Ainda há concessão de crédito presumido de 85% do imposto pago para venda do biogás dentro do estado –na prática, a carga tributária fica em 1,8%.

 

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Além disso, o estado oferece impostos para equipamentos essenciais para a geração de energia com biometano, como aparelhos para coleta e drenagem de gás, subestações de energia elétrica, grupos motogeradores, transformadores, entre outros. A companhia agrícola argentina tem usinas nos municípios de Angélica e Ivinhema, com capacidades de geração, respectivamente, de 96 megawatts (MW) e 120 MW, de acordo com dados da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). Segundo o anúncio da Tether, o potencial das mineradoras será de 230 MW, indicando uma expansão na geração. 

 

Fonte: Brasil ao Minuto 

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