O governo federal se movimenta mais uma vez para mexer nas regras do Minha Casa, Minha Vida e a decisão deve sair já nesta terça-feira durante reunião do Conselho Curador do FGTS. A proposta, que vem do Ministério das Cidades, promete ampliar os limites do programa, mas já chega cercada de críticas e desconfiança nos bastidores.
A principal mudança é o aumento no valor dos imóveis que podem ser financiados. Na faixa 3, o teto subiria de R$ 350 mil para R$ 400 mil, enquanto na faixa 4 o salto seria ainda maior, indo de R$ 500 mil para R$ 600 mil. Além disso, o governo quer reajustar as faixas de renda familiar, permitindo que famílias com ganhos de até R$ 13 mil entrem no programa, ampliando o alcance principalmente para a classe média.
Só que o problema começa justamente na conta que não fecha. Para bancar essa expansão, o plano é tirar entre R$ 15 bilhões e R$ 20 bilhões do Fundo Social do Pré-Sal, já que o FGTS não teria recursos suficientes para sustentar as mudanças. A estratégia repete o que já foi feito anteriormente, quando bilhões também foram deslocados para tentar manter o programa de pé.
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Nos bastidores, técnicos não esconderam a irritação. A principal crítica é que a proposta foi apresentada sem estudos detalhados de impacto financeiro, mesmo com o orçamento do FGTS já definido desde novembro de 2025. O temor é de que novas retiradas comprometam ainda mais a saúde do fundo, que já vem sendo pressionado por saques emergenciais e outras medidas adotadas pelo governo.
E o alerta é pesado: projeções indicam que o FGTS pode sofrer uma retirada de mais de R$ 60 bilhões nos próximos anos. Isso acende um sinal vermelho dentro do próprio conselho, já que o fundo é essencial não só para habitação, mas também para dar estabilidade em momentos de crise. Mesmo assim, a ampliação do programa segue em discussão, com forte apelo político.
Nos bastidores, a leitura é clara: a intenção do governo é aumentar a entrega de moradias em ano eleitoral, elevando a meta de 750 mil para até 850 mil unidades. O movimento atende também à pressão do setor da construção civil, que vinha cobrando a atualização dos valores diante da alta dos custos.
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Enquanto isso, especialistas observam com preocupação o futuro do fundo. Com menos recursos disponíveis e mais compromissos sendo assumidos, cresce o risco de desequilíbrio nas contas. E, mais uma vez, o governo aposta alto, usando dinheiro do Pré-sal para tentar sustentar um programa que pode cobrar seu preço lá na frente.