Taxação de importados é um dos fatores que pesam mais negativamente na popularidade de Lula
O governo voltou a discutir a possibilidade de acabar com a chamada “taxa das blusinhas”, que cobra 20% sobre importações de até US$ 50. A proposta é puxada principalmente pela ala política, com destaque para o ministro Sidônio Palmeira, e conta com apoio de setores da Casa Civil e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A equipe econômica, por outro lado, ainda não entrou diretamente no debate.
Nos bastidores, a movimentação tem forte peso político. Há preocupação com o desempenho estagnado do presidente Lula nas pesquisas e com o avanço de adversários, o que levou o Planalto a estudar até uma medida provisória para derrubar a cobrança. Levantamentos internos apontam que a taxa é um dos pontos mais criticados pela população, ao lado de temas como segurança pública e corrupção.
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A possível revogação, no entanto, divide o governo. Enquanto uma ala vê ganho de popularidade com o fim do imposto, outra teme a reação do varejo nacional, que defende a taxação para equilibrar a concorrência com empresas estrangeiras. Esse argumento, inclusive, foi o que garantiu apoio amplo no Congresso para a criação da cobrança em 2024.
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O debate também acontece em meio à pressão sobre o custo de vida e à tentativa do governo de melhorar a percepção de renda da população. Há avaliação de que o consumo segue fraco e que medidas como essa poderiam ajudar a reanimar a economia. Por outro lado, existe receio de impactos na confiança do mercado e no cenário fiscal, além do risco de efeitos indiretos, como alta do dólar, em um momento de incertezas com inflação e preços internacionais.