Planalto avalia que sobretaxa de 12,5% ligada à investigação sobre trabalho forçado tem mais chances de avançar do que medida relacionada ao Pix e outras práticas comerciais.
O governo brasileiro avalia que a proposta dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos importados do Brasil é, neste momento, a medida com maior probabilidade de ser implementada. A recomendação foi apresentada após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado em diversos países.
O relatório incluiu o Brasil entre as economias que, segundo a avaliação norte-americana, não possuem mecanismos suficientemente eficazes para impedir a importação de produtos associados a práticas de trabalho forçado. Com isso, foi sugerida a aplicação de uma sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros.
A medida ainda não é definitiva e passará por consultas públicas e audiências previstas para julho, antes de uma decisão final do governo do presidente Donald Trump.
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GOVERNO VÊ DIFICULDADE PARA REVERTER PROPOSTA
Nos bastidores, integrantes do governo federal consideram que essa investigação representa um desafio maior para as negociações diplomáticas. A avaliação é de que medidas associadas ao combate ao trabalho forçado possuem forte respaldo internacional, tornando mais complexa qualquer contestação.
Além disso, a iniciativa é interpretada como uma possível forma de recompor tarifas comerciais anteriormente suspensas pela Justiça norte-americana, ampliando a pressão sobre parceiros comerciais dos Estados Unidos.
OUTRA INVESTIGAÇÃO PREVÊ TARIFA DE 25%
Paralelamente, o USTR concluiu uma segunda investigação voltada especificamente ao Brasil. Nesse caso, o órgão recomenda a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, alegando práticas consideradas discriminatórias ou prejudiciais aos interesses comerciais norte-americanos.
Entre os temas analisados estão o sistema de pagamentos instantâneos Pix, políticas relacionadas ao comércio digital, proteção à propriedade intelectual, combate à corrupção, desmatamento ilegal e regras para importação de etanol.
Segundo o relatório, o Pix teria criado condições desfavoráveis para empresas estrangeiras que atuam no setor de pagamentos eletrônicos, argumento que passou a integrar a discussão comercial entre os dois países.
IMPACTO PODE CHEGAR A 37,5%
Caso as duas propostas avancem integralmente, a carga tarifária adicional sobre exportações brasileiras poderá alcançar 37,5%. As medidas são fundamentadas na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento utilizado pelo governo norte-americano para responder a práticas consideradas prejudiciais ao comércio do país.
Diante desse cenário, o governo brasileiro aposta na negociação diplomática para evitar impactos mais amplos sobre setores exportadores. As discussões ocorrem por meio de um grupo de trabalho bilateral criado recentemente para tratar das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
EXPECTATIVA POR DIÁLOGO ENTRE OS GOVERNOS
O Palácio do Planalto espera avançar nas tratativas antes da conclusão dos processos de consulta pública. A estratégia é buscar alternativas que permitam reduzir ou evitar as sobretaxas propostas.
A possibilidade de um novo encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump também é acompanhada pelo governo brasileiro. Ambos confirmaram presença na próxima reunião do G7, na França, embora ainda não exista confirmação de uma agenda bilateral oficial durante o evento.
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Enquanto as negociações seguem em andamento, o governo monitora os desdobramentos das investigações e busca preservar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado norte-americano.