A avaliação do Itamaraty, no entanto, é que o escritório do representante comercial americano tem se mostrado inflexível aos argumentos técnicos
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continuará negociando com os Estados Unidos para tentar evitar a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Apesar dos esforços diplomáticos, integrantes do Palácio do Planalto e do Itamaraty avaliam que todos os argumentos técnicos já foram apresentados ao governo norte-americano e que, neste momento, a principal expectativa é ampliar a lista de produtos que poderão ficar de fora do chamado tarifaço.
A decisão final está nas mãos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que analisa a aplicação de tarifas de 25% e 12,5% sobre diferentes produtos exportados pelo Brasil. O governo brasileiro acredita que, caso Trump leve em consideração os impactos econômicos para empresas e consumidores americanos, poderá rever a medida ou ampliar o número de exceções.
Segundo fontes do Itamaraty, as negociações seguem em andamento. Uma nova rodada técnica foi realizada nesta semana e outros encontros entre autoridades brasileiras e representantes do governo americano estão previstos para os próximos dias. No entanto, diplomatas afirmam que o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) tem mantido uma postura considerada "inflexível" diante dos argumentos apresentados pelo Brasil.
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De acordo com integrantes da diplomacia brasileira, o governo forneceu todas as informações solicitadas pelos Estados Unidos, incluindo dados sobre desmatamento, sistema de pagamentos via Pix e outros temas comerciais. Mesmo assim, os técnicos brasileiros afirmam que os documentos recebidos dos americanos repetem justificativas já apresentadas anteriormente, sem indicar abertura para mudanças significativas.
Nos bastidores, o governo também acompanha a movimentação política envolvendo o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL), que permanece nos Estados Unidos buscando apoio para adiar a decisão sobre o tarifaço. No Planalto, a avaliação é de que um eventual adiamento poderia ser utilizado politicamente durante a campanha eleitoral de 2026.
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Com prazo previsto para terminar no próximo dia 15 de julho, o governo brasileiro trabalha com a expectativa de que Trump anuncie uma decisão definitiva nos próximos dias. Enquanto isso, a estratégia seguirá baseada no diálogo diplomático, embora a percepção seja de que reverter completamente as tarifas se tornou uma possibilidade cada vez mais distante.