Benefício de R$ 2,12 por litro foi estendido por mais 30 dias; dependência de importações e transporte rodoviário aumenta os impactos do combustível caro sobre a produção e os preços dos alimentos.
O governo federal prorrogou por mais 30 dias, na terça-feira (27), o subsídio ao diesel, mantendo o benefício de R$ 2,12 por litro. A medida busca amenizar os efeitos da alta internacional do petróleo, pressionado por conflitos no Oriente Médio e pela guerra entre Rússia e Ucrânia. A elevação dos preços preocupa setores que dependem do combustível, especialmente o agronegócio.
Na primeira quinzena de outubro, o barril do petróleo Brent, referência internacional, foi negociado entre US$ 100 e US$ 106, chegando a US$ 113,17 no dia 22. Além da valorização do petróleo, a desvalorização do real pode encarecer as importações de diesel. Embora seja um grande produtor de petróleo, o Brasil ainda depende do mercado externo para atender parte da demanda pelo combustível.
Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o diesel importado representou 23,14% das vendas nacionais de diesel A em agosto. A pressão sobre os preços já aparece nas bombas: na primeira quinzena de outubro, o diesel comum atingiu média de R$ 7,20 por litro, enquanto o diesel S-10 chegou a R$ 7,46, conforme o Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL). Na região Norte, o diesel comum custava, em média, R$ 7,75 por litro.
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A dependência brasileira das importações está relacionada à capacidade de refino. A extração de petróleo não garante, por si só, a produção de diesel em quantidade suficiente, pois a matéria-prima precisa ser processada em refinarias. Especialistas apontam que a modernização e a ampliação dessas unidades podem ajudar a reduzir a vulnerabilidade do país às oscilações internacionais, além de ampliar a oferta nacional de combustíveis.
Outro fator que agrava os efeitos da alta é a predominância do transporte rodoviário no Brasil. Como grande parte das mercadorias percorre longas distâncias em caminhões, o encarecimento do diesel eleva os custos do frete e afeta diferentes setores da economia. Países com redes ferroviárias mais amplas conseguem transportar parte da produção agrícola e industrial por trens, reduzindo a dependência das estradas em determinados trajetos.
No agronegócio, o combustível é essencial tanto para o funcionamento de máquinas agrícolas durante o preparo do solo, o plantio e a colheita quanto para o transporte da produção até armazéns, indústrias, portos e centros consumidores. Agricultores do Rio Grande do Sul demonstraram preocupação com a possibilidade de falta de diesel às vésperas do plantio da safra de verão. A situação pode comprometer o planejamento das atividades e aumentar os custos de produção.
O diesel mais caro também pode pressionar os preços dos alimentos. Com o aumento das despesas de transporte e operação, produtores e empresas podem ter suas margens de lucro reduzidas ou repassar parte dos custos adicionais aos consumidores. Esse repasse, porém, não ocorre necessariamente de forma imediata ou integral, pois depende de fatores como contratos, concorrência e capacidade de absorção dos aumentos ao longo da cadeia produtiva.
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Apesar de ajudar a conter a alta no curto prazo, o subsídio tem limitações por depender de recursos públicos e não resolver as causas estruturais da vulnerabilidade brasileira. Entre as alternativas apontadas por especialistas estão ampliar e modernizar as refinarias, investir em outras modalidades de transporte e fortalecer a produção nacional de insumos agrícolas, como fertilizantes. A avaliação é que essas medidas podem reduzir a exposição do país às oscilações internacionais e tornar o agronegócio mais resistente a novas altas de custos.