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Governo Trump detalha argumentos que levaram ao tarifaço contra o Brasil
Foto: Reuters/Kylie Cooper

Escritório do Representante Comercial dos EUA listou uma série de fatores, que parecem extrapolar o setor econômico, para justificar a nova tarifa de 25% imposta contra os produtos brasileiros

A nova tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros foi justificada pelo governo de Donald Trump com base em uma investigação comercial conduzida ao longo de cerca de um ano. O relatório concluiu que o Brasil mantém práticas consideradas "desleais" e que, na avaliação de Washington, prejudicam empresas e exportadores americanos.

 

Entre os principais pontos levantados pelos EUA está o sistema de pagamentos PIX. O governo americano afirma que a plataforma favorece o modelo brasileiro em detrimento de empresas estrangeiras do setor financeiro. Washington também criticou decisões judiciais envolvendo redes sociais e plataformas digitais, alegando que elas afetam companhias de tecnologia dos Estados Unidos.

 

Outro argumento apresentado diz respeito ao acesso ao mercado brasileiro. Os americanos apontam falta de reciprocidade no comércio de etanol, além de questionarem acordos preferenciais firmados pelo Brasil com países como México e Índia. O relatório também menciona falhas no combate ao desmatamento ilegal, problemas relacionados à pirataria e demora na concessão de patentes.

 

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A investigação ainda faz críticas às políticas brasileiras de combate à corrupção e cita decisões envolvendo a Operação Lava Jato. Paralelamente, os EUA também concluíram outra apuração sobre trabalho forçado, na qual incluíram o Brasil entre os países que, segundo Washington, não fiscalizam adequadamente produtos produzidos nessas condições, abrindo caminho para uma sobretaxa adicional que ainda está em análise.

 

O governo brasileiro rejeitou as acusações e afirmou que temas como PIX, regulação das plataformas digitais e decisões do Supremo Tribunal Federal fazem parte da soberania nacional e não podem servir de justificativa para sanções comerciais. O Itamaraty também sustenta que o sistema de pagamentos é aberto à participação de empresas estrangeiras e que o Brasil segue normas internacionais em seus acordos comerciais.

 

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Apesar da nova tarifa, os Estados Unidos deixaram de fora da cobrança diversos produtos considerados estratégicos, como petróleo, café, carne bovina, aeronaves, celulose e fertilizantes. A taxa de 25% começa a valer em 22 de julho, enquanto Brasil e EUA seguem mantendo canais de negociação para tentar reduzir os impactos da medida. 

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