Nova estratégia dos Estados Unidos para lidar com casos de Ebola gera críticas de especialistas em saúde pública.
O governo do presidente Donald Trump pretende adotar uma nova estratégia para cidadãos americanos expostos ao vírus Ebola durante o surto registrado na República Democrática do Congo. Em vez de repatriar os pacientes para tratamento nos Estados Unidos, a administração avalia mantê-los em quarentena e atendimento médico no Quênia.
Segundo informações divulgadas por pessoas ligadas ao planejamento, os americanos considerados de alto risco permaneceriam em uma estrutura montada no país africano, onde também receberiam tratamento em caso de sintomas da doença.
A medida representa uma mudança significativa em relação às políticas adotadas por governos anteriores, que costumavam transferir cidadãos americanos expostos ao Ebola para hospitais especializados nos Estados Unidos.
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Nos últimos dias, o governo norte-americano já havia levado um médico americano com sintomas para tratamento na Alemanha e enviado outros profissionais para monitoramento na Alemanha e na República Tcheca.
O atual surto de Ebola na República Democrática do Congo já ultrapassou mil casos e mais de 200 mortes em poucos dias, tornando-se um dos maiores registros recentes da doença. A Organização Mundial da Saúde classificou a situação como emergência de saúde pública de importância internacional.
Especialistas em saúde pública criticaram a proposta do governo americano. Para pesquisadores, os Estados Unidos possuem centros altamente preparados para lidar com doenças infecciosas graves, oferecendo estruturas mais avançadas do que as disponíveis atualmente na África.
O diretor do Centro de Segurança Sanitária da Universidade Johns Hopkins, Tom Inglesby, afirmou que pacientes teriam melhores chances de sobrevivência em unidades especializadas instaladas em território americano.
Já o especialista em saúde pública da Universidade Brown, Craig Spencer, avaliou que montar uma estrutura com o mesmo nível de tecnologia e segurança no Quênia seria um grande desafio em curto prazo.
Além do novo plano, o governo americano também endureceu medidas migratórias relacionadas ao surto, restringindo a entrada de pessoas que estiveram recentemente na República Democrática do Congo, Uganda ou Sudão do Sul.
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O avanço acelerado da epidemia preocupa autoridades internacionais, especialmente devido aos conflitos armados e à intensa circulação de pessoas na região afetada, fatores que dificultam o controle da doença.