Medicamentos injetáveis Ozempic e Wegovy
Governos locais de várias regiões começaram a se mexer para oferecer canetas emagrecedoras na rede pública, como se fosse novo tipo de caderneta de figurinhas. Mais de dez municípios já discutiram o assunto, alguns só no papo, outros já botaram a mão na massa, e o Distrito Federal entrou na dança usando liraglutida em protocolos para obesidade. Enquanto isso, a Conitec continua de braços cruzados, dizendo que não dá para incluir esses remédios no SUS por causa do preço que faria até o cofrinho do Tesouro tremer. Mas, como cada canto do país tem autonomia, estados e municípios podem bancar do próprio bolso – e o SUS, descentralizado que só ele, deixa.
As tais canetas são da família dos agonistas do GLP-1, substâncias que imitam um hormônio do intestino, usadas primeiro para diabetes tipo 2, depois percebidas como promissoras para perder uns quilinhos. Tem semaglutida, liraglutida e tirzepatida no cardápio. Estudos mostram que emagrecem mesmo, mas o preço? O Ministério da Saúde estima um impacto de R$ 8 bilhões por ano se a moda pegar.
O ministério diz que pediu à Anvisa prioridade nos registros e que a produção nacional e genéricos podem baratear uns 30%, mas até lá cada prefeitura que se vire. E já tem gente usando isso como jogada eleitoral: no Rio, Eduardo Paes falou em distribuir GLP-1, criou grupo de estudo, mas ainda precisa decidir protocolos e ver se o bolso aguenta.
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Sorocaba fez um teste de três meses chamado “Emagrecer Certo”, com acompanhamento multiprofissional e semaglutida na UBS, e promete voltar em 2026 com nova roupagem. Urupês vai oferecer tirzepatida a 200 pacientes, priorizando quem espera cirurgia bariátrica, mas a Eli Lilly torceu o nariz para versões manipuladas. No DF, liraglutida já é rotina para 400 pacientes em ambulatórios especializados.
Especialistas alertam: sem planejamento, isso vira risco. Walter Cintra Ferreira Junior, da FGV, lembra que decisões eleitorais podem atropelar critérios técnicos e gerar a famosa judicialização da saúde. Carla Pintas Marques, da UnB, lembra que registro sanitário não significa que tudo deva ir para o SUS e que parar o tratamento por falta de dinheiro prejudica o paciente. Ana Lo Prete, de São Paulo, reforça: obesidade é doença metabólica e medicamento sozinho é só dinheiro jogado fora.
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Algumas cidades já entraram nessa onda: Urupês, Vilhena, DF; outras estudam ou planejam: Votuporanga, Paracatu, Rio, Cuiabá, Foz do Iguaçu, Ji-Paraná, Turmalina, São Paulo, Pequi, Teixeira de Freitas, Franca, João Pessoa, Sorocaba. A ideia parece boa no papel, mas na prática o país assiste com aquele olhar entre esperança e susto, porque a caneta emagrecedora ainda é muito mais política do que milagre.