32ª edição do movimento será realizada no feriado de 7 de Setembro e também abordará paz, soberania, educação e saúde no Amazonas
O Grito dos Excluídos e das Excluídas chega à 32ª edição em Manaus com uma programação voltada à defesa de direitos sociais e à mobilização popular. Tradicionalmente realizado no dia 7 de Setembro, o movimento reúne pastorais sociais da Igreja Católica, movimentos sociais e representantes da sociedade civil.
Neste ano, a iniciativa adota o tema “Vida em Primeiro Lugar. Na Defesa da Terra, da Paz e da Moradia. Erguemos a Voz: Mulheres Vivas e Soberania”. Em Manaus, uma das capitais que participam do movimento desde o início, a programação terá formato diferente, com uma feira de economia criativa durante todo o dia na sede do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).
A tradicional caminhada está prevista para começar às 15h, com saída do Inpa em direção à Bola do Coroado.
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Um dos coordenadores do movimento na capital, o padre José Alcimar, destacou a escolha de colocar a defesa das mulheres entre os principais temas da edição. Segundo ele, a mobilização busca chamar atenção para os casos de feminicídio e para a violência contra a população feminina.
“É importante que a gente levante a voz com as mulheres para denunciar e resistir à violência contra elas”, afirmou.
A questão habitacional também terá destaque durante a mobilização. O padre José Alcimar afirmou que milhares de famílias enfrentam risco de despejo e ressaltou os impactos sociais provocados pela falta de moradia adequada.
“É muita gente que pode ser despejada, isso significa sofrimento de mães, de homens, de crianças, de idosos e de mulheres”, declarou.
A defesa da paz também integra a pauta do movimento. Para o sacerdote, diante dos conflitos armados registrados em diferentes partes do mundo, é necessário fortalecer iniciativas que incentivem o diálogo e a busca por soluções pacíficas.
Outro tema abordado será a soberania nacional. José Alcimar criticou o que considera interferências dos Estados Unidos na América Latina e defendeu que o Brasil mantenha autonomia em suas decisões.
O coordenador afirmou ainda que o Grito dos Excluídos funciona como espaço de manifestação para diferentes setores da sociedade, incluindo pautas relacionadas à educação e à saúde.
A coordenadora das Pastorais Sociais da Igreja Católica no Amazonas, Guadalupe Péres, também ressaltou a importância da defesa das mulheres na edição deste ano. Para ela, a violência e o feminicídio exigem uma resposta da sociedade.
Guadalupe destacou que as 17 pastorais sociais atuam durante todo o ano em diferentes frentes e comunidades. Segundo ela, a participação no Grito dos Excluídos amplia a visibilidade das demandas de grupos que vivem em situação de vulnerabilidade.
PROFESSORES PARTICIPAM DA MOBILIZAÇÃO
A edição de 2026 também contará com a participação do Sindicato dos Professores e Pedagogos de Manaus (Asprom Sindical). A professora Helma Sampaio, coordenadora administrativa da entidade, afirmou que a defesa da educação pública é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa.
“Não existe um Brasil justo sem educação”, declarou.
Segundo Helma, professores e estudantes enfrentam diariamente dificuldades que precisam ser discutidas e enfrentadas. Ela defendeu a participação dos governos municipal e estadual e da sociedade na busca por melhorias para a educação pública.
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Para os organizadores, o Grito dos Excluídos representa, ao mesmo tempo, um espaço de resistência e esperança, reunindo diferentes movimentos sociais em torno de reivindicações por direitos e melhores condições de vida.