Revisões feitas após o início do conflito apontam queda de cerca de 0,5% nas emissões de CO? dos combustíveis fósseis. Histórico mostra que recuos em anos de crise costumam ser pequenos e temporários
A guerra no Irã provocou uma mudança nas projeções para as emissões globais de dióxido de carbono (CO?) em 2026. Estimativas atualizadas da Agência Internacional de Energia (IEA) indicam que as emissões relacionadas ao uso de petróleo, gás e carvão podem terminar o ano cerca de 0,5% abaixo do registrado em 2025.
A possível redução representa aproximadamente 190 milhões de toneladas de CO?. O resultado, porém, ainda é uma projeção e pode mudar conforme a duração do conflito, os preços da energia e a retomada ou não do fornecimento de combustíveis. Mesmo com a queda estimada, o mundo continuaria liberando dezenas de bilhões de toneladas de CO? na atmosfera.
O petróleo concentra parte importante da mudança. A previsão da IEA para a demanda mundial pelo combustível foi sendo reduzida ao longo de 2026, enquanto o gás também perdeu espaço nas estimativas. Em contrapartida, o consumo global de carvão deve crescer cerca de 1,2% e atingir um novo recorde, à medida que alguns países recorrem ao combustível diante das dificuldades no mercado de petróleo e gás.
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Especialistas alertam, no entanto, que uma eventual queda nas emissões em 2026 não significa que o planeta tenha iniciado uma trajetória permanente de redução. Conflitos podem provocar mudanças temporárias no consumo de energia, mas também aumentam emissões diretamente por meio de operações militares, incêndios em instalações de combustíveis e destruição de infraestrutura. Uma análise publicada pela Queen Mary University of London estimou que os primeiros 14 dias da guerra geraram mais de 5 milhões de toneladas de CO? equivalente.
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Outro ponto de atenção é que uma redução anual nas emissões não significa diminuição imediata da concentração de CO? na atmosfera. O gás permanece no sistema climático por longos períodos e continua se acumulando enquanto houver emissões. Por isso, pesquisadores destacam que o efeito climático da guerra dependerá não apenas dos números de 2026, mas também das mudanças que o conflito provocar nos mercados de energia e nas decisões sobre combustíveis fósseis e fontes renováveis nos próximos anos.