Caso conflito no Oriente Médio se alongue, aumento do preço dos fertilizantes pode impactar próximas safras de soja, milho e trigo
A guerra no Oriente Médio já começa a provocar impactos além do petróleo e preocupa produtores rurais do Brasil. O preço de fertilizantes usados na agricultura, principalmente os nitrogenados, vem subindo por causa de interrupções na produção e exportação na região, o que pode elevar o custo de alimentos como milho e soja.
Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, o Oriente Médio responde por cerca de 30% dos fertilizantes comercializados no mundo. Com o Estreito de Ormuz praticamente fechado, o transporte marítimo fica mais caro, o que aumenta o custo de chegada dos insumos e pode reduzir a oferta global.
O Brasil depende fortemente de importações para manter sua produção agrícola. De acordo com a Associação Nacional para Difusão de Adubos, cerca de 85,7% dos fertilizantes usados no país vêm do exterior. Entre os mais utilizados estão os nitrogenados, fosfatados, potássicos e NPK.
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Apesar disso, a participação direta do Oriente Médio nas importações brasileiras é relativamente menor. Em 2025, cerca de 15,8% dos fertilizantes nitrogenados comprados pelo Brasil vieram da região, o que indica que o impacto tende a ser indireto, principalmente por causa da disputa global por cargas e do aumento do frete.
Especialistas afirmam que produtores podem enfrentar custos mais altos, atrasos logísticos e dificuldades para encontrar fertilizantes disponíveis no mercado internacional. O principal risco no curto prazo não seria a falta de alimentos, mas o aumento de preços.
Entre os produtos mais afetados inicialmente podem estar hortaliças, legumes e parte do hortifruti. Em seguida, o impacto pode chegar aos grãos, especialmente milho, soja e trigo. Caso o conflito se prolongue, alimentos como carnes, ovos e leite também podem ficar mais caros, já que milho e soja são base da ração animal.
Entre os fertilizantes nitrogenados, a maior preocupação é com a ureia. Dados do banco Rabobank indicam que cerca de 45% das exportações globais desse produto passam por rotas ligadas ao Golfo Pérsico, e aproximadamente 35% da ureia usada no Brasil tem origem em países da região.
Segundo a CNA, o preço da ureia já subiu cerca de 33% no Brasil desde o início do conflito, influenciado principalmente pelo aumento do custo do gás natural, matéria-prima usada na produção. Fertilizantes fosfatados também registraram alta, com aumento próximo de 8%.
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Mesmo assim, especialistas lembram que muitos produtores brasileiros já possuem estoques para a safra atual. O impacto mais forte pode aparecer apenas na próxima safra de verão, cujo plantio começa em agosto. Em culturas como soja e milho, os fertilizantes representam cerca de 40% do custo total de produção.