Fumaça em Beirute após ataque israelense
A guerra no Oriente Médio completou uma semana e o cenário é de tensão crescente, com sinais de que o conflito pode se ampliar ainda mais. Enquanto os Estados Unidos pressionam pela rendição do Irã e prometem intensificar os bombardeios, o regime iraniano reage com ataques a bases militares e tenta prolongar a guerra.
Israel também aumentou sua ofensiva contra alvos iranianos e voltou a enfrentar tensão na fronteira com o Líbano após ataques do Hezbollah. Ao mesmo tempo, países da região e da Europa começam a ser arrastados para o conflito, aumentando o risco de uma guerra ainda maior.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exigiu nesta sexta-feira a rendição incondicional do Irã e descartou qualquer acordo para encerrar a guerra iniciada no último sábado. A declaração veio acompanhada da promessa de ampliar os bombardeios contra o território iraniano.
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Estados Unidos e Israel anunciaram uma nova fase da ofensiva militar, com aumento do poder de fogo e ataques contra estruturas estratégicas do regime iraniano. O Pentágono chegou a afirmar que as forças americanas estariam vencendo o conflito.
Segundo o secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, os ataques continuarão enquanto o governo americano considerar necessário. Ele afirmou que o Irã não teria condições de reagir à ofensiva.
No início da semana, Trump chegou a estimar que a guerra poderia durar entre quatro e cinco semanas. No entanto, analistas apontam que as mensagens vindas de Washington são contraditórias e indicam que o conflito pode se arrastar por muito mais tempo.
Apesar da pressão militar, o regime iraniano não caiu e também não demonstra sinais de recuo. Pelo contrário, o país passou a responder com ataques contra bases militares americanas no Oriente Médio.
Um navio de guerra iraniano chegou a ser afundado por forças americanas nas águas próximas ao Sri Lanka. Mesmo assim, autoridades iranianas disseram que os Estados Unidos ainda vão se arrepender da ação.
Bases militares americanas espalhadas pelo Oriente Médio passaram a ser alvo de ataques com mísseis e drones. A situação acabou gerando preocupação até mesmo entre países aliados dos Estados Unidos, que temem ser arrastados para o conflito.
Trump tenta repetir uma estratégia de cerco militar semelhante à que foi utilizada contra a Venezuela, quando uma grande frota naval foi enviada para a região durante a operação que terminou com a captura do então ditador Nicolás Maduro.
Na ocasião, o governo americano enviou ao Caribe navios de guerra, incluindo o USS Gerald Ford, considerado o maior porta-aviões do mundo. A operação foi apresentada como combate ao narcotráfico.
Maduro acabou sendo capturado em janeiro e levado para os Estados Unidos. O governo interino venezuelano passou a negociar com Washington o futuro político do país, em um processo que teve pouca resistência militar.
No caso do Irã, porém, o cenário é completamente diferente. O país não demonstra intenção de recuar e tenta ampliar o conflito para aumentar o custo da guerra para seus adversários.
Especialistas afirmam que a estratégia iraniana é promover uma chamada guerra de atrito, prolongando os combates para desgastar os inimigos e drenar seus recursos militares.
Outro ponto de pressão usado pelo Irã é o Estreito de Ormuz. A Guarda Revolucionária afirmou que a rota marítima está sob seu controle e ameaçou fechar o canal enquanto o território iraniano continuar sendo bombardeado.
O Estreito de Ormuz é considerado uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. Por ali passam grandes carregamentos de petróleo vindos de países do Golfo como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos.
O Irã já vinha enfrentando forte desgaste político e militar nos últimos meses. Em junho de 2025, o país foi alvo de uma grande operação militar israelense que destruiu parte de suas instalações nucleares.
Na época, Teerã respondeu lançando mísseis contra Tel Aviv e outras cidades israelenses. Depois disso, o país também enfrentou uma grande onda de protestos contra o regime liderado pelo aiatolá Ali Khamenei.
Khamenei, que comandou o Irã por quase quatro décadas, acabou sendo morto durante a primeira onda de bombardeios realizada por Estados Unidos e Israel no início da guerra. Outros integrantes importantes da liderança iraniana também foram mortos.
Agora o regime iraniano tenta organizar a escolha de um novo líder supremo, processo que ocorre em meio à guerra e à pressão internacional.
Trump chegou a afirmar que pretende influenciar na escolha do novo líder do Irã e disse que não se importa se o governo resultante será democrático ou não. Ele também declarou ser contra a possibilidade de Mojtaba Khamenei, filho do antigo líder, assumir o poder.
Enquanto isso, Israel segue ampliando sua ofensiva militar contra alvos iranianos. Desde o início da guerra, o governo israelense tem justificado os ataques como uma ação preventiva.
Israel e Irã são adversários históricos e mantêm um conflito indireto há anos. O governo iraniano financia e apoia grupos armados que enfrentam Israel na região, entre eles o Hezbollah.
Nos últimos dias, o Exército israelense também passou a realizar operações militares na fronteira com o Líbano. A trégua que existia entre Israel e o Hezbollah foi rompida após o grupo libanês lançar mísseis contra o norte do território israelense.
Os ataques foram apresentados como uma resposta à ofensiva contra o Irã. Desde então, novas incursões militares provocaram a morte de mais de 200 pessoas no Líbano.
Diante da escalada da violência, a França anunciou o envio de veículos blindados para a capital libanesa, Beirute.
O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu também enfrenta eleições neste ano e o conflito pode acabar fortalecendo sua posição política ao demonstrar força militar diante do Irã.
Na Europa, o clima também é de alerta. Um míssil disparado pelo Irã chegou a ser interceptado pelo sistema de defesa da Otan na Turquia, aumentando o temor de que a guerra ultrapasse as fronteiras do Oriente Médio.
Trump tentou ao longo da semana pressionar líderes europeus a apoiar diretamente a ofensiva contra o Irã. Com a Espanha, chegou a ameaçar romper relações comerciais após o país se recusar a liberar suas bases militares para operações de ataque.
Reino Unido e França aceitaram cooperar com os Estados Unidos, mas limitaram o uso de suas bases apenas para ações de defesa de aliados no Golfo, e não para ataques diretos contra o Irã.
Enquanto isso, o Irã continua realizando ataques de retaliação contra bases militares americanas localizadas em países do Golfo Pérsico, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Catar.
Esses ataques também afetaram o tráfego aéreo na região e causaram impactos no comércio internacional de petróleo, especialmente após o fechamento do Estreito de Ormuz.
A Rússia também entrou no cenário da guerra. Segundo reportagem do jornal The Washington Post, Moscou estaria repassando ao Irã informações sobre a localização de ativos militares dos Estados Unidos no Oriente Médio, incluindo navios de guerra e aeronaves.
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Mesmo assim, a resposta oficial do governo russo aos ataques tem sido considerada moderada até o momento.