De acordo com agência que coordena os estoques das nações ricas da OCDE, guerra no Irã reduziu em 7,5% a oferta mundial da commodity. Fluxo no estreito de Ormuz caiu 90% e afeta também capacidade de refino
A guerra envolvendo o Irã está causando uma enorme turbulência no mercado mundial de petróleo e já afeta cerca de 7,5% da oferta global da commodity. O alerta foi feito pela Agência Internacional de Energia (AIE), que classificou o cenário como a maior interrupção de fornecimento já registrada na história do mercado internacional de petróleo.
Segundo o relatório divulgado nesta quinta-feira, o conflito no Oriente Médio está provocando um impacto gigantesco nas exportações e no fluxo de combustíveis no mundo. Diante da crise, países membros da organização decidiram liberar um volume histórico de 400 milhões de barris de reservas estratégicas para tentar conter o pânico no mercado.
A disparada nos preços começou após ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã no dia 28 de fevereiro. A situação provocou um efeito imediato nas rotas marítimas de petróleo, principalmente no estratégico estreito de Ormuz, uma das passagens mais importantes para o transporte de petróleo no planeta.
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De acordo com estimativas da AIE, o fluxo de navios petroleiros pela região despencou mais de 90%. Pelo local circulavam cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia no ano passado, incluindo petróleo bruto e derivados.
Com a escalada do conflito, a oferta mundial de petróleo deve cair em aproximadamente oito milhões de barris por dia apenas neste mês. A crise também começou a afetar a demanda global, já que o aumento dos preços, o cancelamento de voos e a incerteza econômica estão freando o consumo.
Diante disso, a agência reduziu em cerca de 25% sua previsão de crescimento do consumo global de petróleo para este ano, que agora está estimado em 640 mil barris por dia — o menor nível previsto desde que as projeções começaram a ser divulgadas.
Os reflexos já aparecem nas bolsas internacionais. O petróleo Brent voltou a ultrapassar a marca de US$ 100 por barril em Londres após dois petroleiros serem atingidos em águas iraquianas e Omã evacuar seu principal terminal de exportação. Por volta das 7h30 no horário de Brasília, o Brent era negociado a US$ 96,43, com alta de 4,84%, enquanto o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, subia 4,54% e era cotado a US$ 91,21 o barril.
Mesmo com países como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos tentando redirecionar parte das exportações por rotas alternativas, o bloqueio do estreito de Ormuz obrigou produtores do Golfo a interromper cerca de 10 milhões de barris por dia em produção.
Com esse choque de oferta, as previsões da Agência Internacional de Energia para o superávit global de petróleo em 2026 foram drasticamente reduzidas para cerca de 2,4 milhões de barris por dia, pouco mais de um terço do que era projetado antes da crise.
Antes do conflito, analistas acreditavam que haveria um excedente recorde de petróleo no mercado mundial, impulsionado principalmente pelo aumento da produção nas Américas, com destaque para Estados Unidos, Canadá, Guiana e Brasil.
Agora, parte das perdas do Oriente Médio está sendo compensada pelo aumento da produção em países fora da Opep e também por integrantes da aliança Opep+, como Rússia e Cazaquistão.
Outro problema que preocupa os especialistas é o impacto no refino. O fechamento do estreito de Ormuz coloca em risco cerca de quatro milhões de barris por dia de capacidade regional de refino, o que pode provocar escassez de produtos derivados como diesel e combustível de aviação.
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Diante da gravidade da situação, o diretor executivo da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, anunciou que os 32 países membros da organização irão liberar 400 milhões de barris de suas reservas de emergência. Ainda não foram divulgados detalhes sobre a velocidade ou duração dessa liberação, mas a medida é vista como uma tentativa de evitar uma crise energética ainda maior no planeta.