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Há 80 anos, teste da primeira bomba atômica mudou para sempre a história da humanidade
Foto: Reproduçao

Na madrugada de 16 de julho de 1945, o deserto do Novo México iluminou-se com a explosão do teste Trinity, inaugurando a era nuclear e a capacidade humana de destruir a própria biosfera.

“De repente, houve um enorme lampejo de luz, a luz mais brilhante que eu já vi ou que qualquer pessoa já viu. Ela explodia, dava botes, cavava um buraco dentro da gente. Era uma visão que podia ser sentida além da visão”, recordou o físico e ganhador do Nobel Isidor Isaac Rabi sobre a experiência do teste Trinity, realizado às 5h29 (horário local) no deserto do Novo México.

 

O evento marcou o ápice do Projeto Manhattan, um esforço científico e militar que envolveu 130 mil pessoas e custou o equivalente a quase R$ 200 bilhões em valores atuais, entre 1942 e 1946. A iniciativa tinha origem em uma carta de Albert Einstein e Leo Szilard, alertando o presidente Franklin Roosevelt sobre o risco de a Alemanha nazista desenvolver armas atômicas.

 

Coordenado por Julius Robert Oppenheimer, o laboratório de Los Alamos reuniu um verdadeiro “dream team” da ciência mundial, com o objetivo de criar uma arma capaz de encerrar a Segunda Guerra Mundial contra o Eixo. Dois modelos de bomba foram desenvolvidos: um mais simples e outro mais sofisticado, mas igualmente letal.

 

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O teste, realizado na região conhecida como Jornada del Muerto, combinava plutônio, urânio e explosivos convencionais para gerar uma reação nuclear em cadeia, liberando imensas quantidades de energia em frações de segundo. O nome Trinity, escolhido por Oppenheimer, permanece envolto em mistério, possivelmente inspirado em poemas ou na trindade hindu.

 

Preparar o teste exigiu infraestrutura do zero em um deserto repleto de cactos, cascavéis e aranhas. O material foi transportado de Los Alamos a partir de 12 de julho, incluindo o núcleo de plutônio cuidadosamente protegido com níquel e ouro. Ajustes de última hora foram feitos para encaixar o concentrador de urânio, e colchões foram empilhados sob a torre para prevenir acidentes.

 

No amanhecer de 16 de julho, os cientistas se posicionaram 32 km distante, alguns com loção contra queimaduras, máscaras e óculos escuros, enquanto outros, impacientes, observavam diretamente a detonação.

 

A explosão transformou a madrugada em dia claro por alguns segundos, seguida pelo barulho ensurdecedor, calor intenso, onda de choque e o icônico cogumelo atômico, que subiu aos céus em cores vibrantes vermelha, azul e arroxeada. Como primeiros “testes”, coelhos do deserto foram mortos a centenas de metros da torre.

 

Após a detonação, Kenneth Bainbridge, coordenador do teste, virou-se para Oppenheimer e disse: “Agora somos todos filhos da puta”, sintetizando a mistura de triunfo científico e terror moral que caracterizou aquele momento histórico.

 

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O teste Trinity não apenas representou um avanço tecnológico sem precedentes, mas também inaugurou uma era em que a humanidade passou a deter o poder de destruir o próprio planeta. 

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