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Haddad diz que elite brasileira trata o Estado como propriedade e alerta para fragilidade da democracia
Foto: Reprodução

Durante o lançamento do livro Capitalismo Superindustrial, neste sábado, o ministro da Fazenda Fernando Haddad fez duras críticas à formação histórica do poder no Brasil e afirmou que a classe dominante encara o Estado como algo “dela”, e não da sociedade.

 

O evento ocorreu no Sesc 14 Bis, na capital paulista, com bate-papo ao lado do jornalista Celso Rocha de Barros e mediação da historiadora Lilia Schwarcz. “A classe dominante brasileira entende o Estado como dela, não é uma coisa nossa, é uma coisa dela”, afirmou Haddad.

 

Segundo o ministro, a estrutura atual do poder teria raízes diretas no período pós-abolição da escravidão. “Eu defendo a tese de que o Estado foi entregue aos fazendeiros como indenização pela abolição da escravidão”, disse. Haddad lembrou que o movimento republicano começou um dia após a assinatura da Lei Áurea e, em menos de um ano, já havia tomado o controle político do país.

 

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Para ele, esse arranjo histórico ainda influencia a política nacional: “Bota pra correr a classe dirigente e coloca a classe dominante para cuidar do Estado como se fosse seu. Estamos com esse problema até hoje.”

 

DEMOCRACIA FRÁGIL E RISCO DE RUPTURA

 

Haddad também alertou para a fragilidade da democracia brasileira, afirmando que qualquer tentativa de questionar esse “acordão” histórico gera reação imediata.

 

“Por isso a democracia no Brasil é tão problemática e tão frágil. A democracia é a contestação desse status quo. Quando ela estica a corda, a ruptura institucional pode acontecer.”

 

DESIGUALDADE TENDE A CRESCER, AVALIA MINISTRO

 

No livro, Haddad discute o que chama de “capitalismo superindustrial”, marcado por desigualdade crescente e competição global intensa. Ele avalia que, sem a atuação do Estado para equilibrar o desenvolvimento, a desigualdade tende a se aprofundar.

 

“Deixada à própria sorte, essa dinâmica leva a uma desigualdade absoluta. Aí não é mais diferença social, é contradição.” A obra reúne estudos produzidos pelo ministro nas décadas de 1980 e 1990, revisados e ampliados, abordando economia política, o sistema soviético e a ascensão da China como potência global.

 

ORIENTE, REVOLUÇÕES E CONTRADIÇÕES

 

Haddad também analisou os processos históricos no Oriente, destacando que, diferentemente da América e do Leste Europeu, as revoluções asiáticas tiveram caráter antissistêmico e anti-imperialista.

 

Segundo ele, apesar do avanço econômico dessas sociedades, houve contradições profundas entre os ideais revolucionários e os resultados alcançados:

 

“Do ponto de vista das forças produtivas houve avanço. Já em relação aos ideais que motivaram os líderes revolucionários, é possível dizer que não atingiram seus objetivos.”

 

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O ministro concluiu que o mundo vive um momento de fortes tensões estruturais, impulsionadas pelo aumento da desigualdade e pela reorganização do capitalismo global — cenário que, segundo ele, exige reflexão profunda sobre democracia, desenvolvimento e justiça social. 

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