Busca por apoio no interior paulista esbarra em críticas econômicas e desconfiança política
O ex-ministro Fernando Haddad tem encontrado dificuldades para atrair um nome ligado ao agronegócio como vice em sua possível candidatura ao governo de São Paulo. A estratégia busca reduzir a rejeição no interior do estado, mas enfrenta resistência de um setor que, em sua maioria, demonstra apoio ao atual governador Tarcísio de Freitas.
Entre os nomes sondados, a pecuarista Teresa Vendramini, conhecida como Teca, recusou o convite. Filiada ao PDT e ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira, ela não foi a única a declinar. O economista Tirso Meirelles, atual presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), também optou por não participar da disputa, afirmando não se considerar um político.
No interior paulista, a rejeição ao nome de Haddad é atribuída, em parte, a fatores econômicos. Representantes do setor associam o aumento dos pedidos de recuperação judicial no agronegócio que atingiram níveis recordes recentemente ao cenário de juros elevados, influenciado pela taxa Selic. Há ainda críticas à política fiscal do governo e à tributação das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), que passaram a ter incidência de imposto de renda sobre rendimentos.
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Além disso, produtores rurais manifestam insatisfação com posições istóricas do Partido dos Trabalhadores em relação a movimentos sociais ligados à reforma agrária, o que contribui para a desconfiança no setor.
Apesar desse cenário, há também relatos de desgaste na relação entre prefeitos do interior e a atual gestão estadual, embora isso não signifique, necessariamente, apoio à candidatura de Haddad.
Nos bastidores, aliados avaliam que a participação do vice-presidente Geraldo Alckmin pode ser estratégica. Ex-governador de São Paulo por vários mandatos, Alckmin mantém boa imagem junto ao agronegócio, especialmente por políticas voltadas ao crédito rural, infraestrutura e apoio a pequenos produtores.
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Diante das dificuldades, Haddad tenta construir uma candidatura mais alinhada ao centro, buscando diálogo com o setor produtivo e o empresariado. A missão é reduzir a rejeição fora da capital, onde o desempenho eleitoral da esquerda historicamente enfrenta mais obstáculos.