Nova cartilha do Inep reúne exemplos de redações bem avaliadas e orientações sobre as cinco competências cobradas na prova
A preparação para a redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pode envolver diferentes estratégias, desde a realização frequente de simulados até a busca por referências e a análise dos próprios erros. Para estudantes que vão participar da edição de 2026, três histórias reunidas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostram diferentes caminhos percorridos até o desempenho máximo na prova.
As experiências de Carlos Eduardo Gomes, de Fortaleza (CE), Samille Leão, de Virginópolis (MG), e Elivandro Rodrigues, de Jaguaribe (CE), fazem parte da nova edição da cartilha “A Redação do Enem 2026 – Cartilha do Participante”, publicada pelo Inep, órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC).
O material apresenta os critérios utilizados na correção da redação, orientações para os participantes e exemplos de textos produzidos no Enem 2025, acompanhados de comentários pedagógicos para explicar os aspectos avaliados.
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Carlos Eduardo Gomes alcançou a nota mil na redação e transformou o resultado em uma oportunidade para ajudar outros estudantes. Morador de Fortaleza, ele conta que recebeu apoio dos avós e das tias durante a preparação e que a família teve papel importante na busca pelo sonho de cursar medicina.
“Sempre acreditaram muito em meu potencial de conseguir chegar em uma universidade, de cursar medicina, que sempre foi meu sonho”, relatou.
Antes mesmo da nota máxima, Carlos já desenvolvia um projeto de mentoria voltado à redação. Após o resultado no Enem, a iniciativa ganhou alcance e passou a atender quase uma centena de estudantes. Ele também começou a participar de um projeto da Secretaria de Educação direcionado a alunos do 8º e 9º anos.
“Antes, eu buscava me inspirar em outras histórias, outras trajetórias. E saber que hoje eu sou uma dessas inspirações é uma grande realização para mim”, afirmou.
A preparação de Samille Leão, atualmente estudante de medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), teve os simulados como parte importante da rotina. A estudante reproduzia em casa as condições encontradas no dia do exame e chegou a realizar provas durante feriados e reuniões familiares.
“Eu simulava como se fosse o dia do Enem”, lembrou.
Durante os simulados, Samille procurava manter o ambiente o mais próximo possível da realidade da prova e pedia para não ser interrompida enquanto respondia às questões.
Ao relembrar a preparação até alcançar a nota máxima, ela destacou a necessidade de manter a dedicação ao longo do processo e valorizar o apoio recebido durante os estudos.
“O que eu gostaria que as pessoas lembrassem quando elas conhecessem minha história é que é possível, sim, realizar nossos sonhos com dedicação e paciência”, afirmou.
Já Elivandro Rodrigues, professor de Jaguaribe, no Ceará, decidiu fazer o Enem todos os anos como uma maneira de conhecer melhor as dificuldades enfrentadas pelos próprios alunos. A ideia surgiu a partir do exemplo de uma professora de física que também realizava a prova para compreender os desafios dos estudantes.
“Meu propósito não é simplesmente tirar nota mil. Eu quero ajudar meus alunos”, explicou.
Para o professor, participar do exame também permite identificar dificuldades a partir dos próprios erros e utilizar essas experiências para aperfeiçoar o trabalho desenvolvido em sala de aula.
O desempenho na redação também trouxe novas oportunidades profissionais. A partir do reconhecimento obtido, Elivandro conseguiu criar um espaço presencial de ensino em sua cidade, voltado para reforço e preparação em redação.
“Isso me abriu uma porta aqui na cidade para ter um local presencial, ter um reforço, ter um curso de redação”, contou.
As três experiências destacadas pelo Inep apresentam estratégias diferentes de preparação, mas têm em comum a prática, a dedicação e a análise do próprio processo de aprendizagem.
CARTILHA ORIENTA ESTUDANTES SOBRE REPERTÓRIO E ARGUMENTAÇÃO
Além de apresentar exemplos de estudantes que obtiveram boas notas, a nova cartilha do Inep explica como a redação é avaliada e chama atenção para a necessidade de utilizar referências de maneira relacionada ao tema desenvolvido.
O material alerta para o chamado “repertório de bolso”, expressão usada para definir referências memorizadas e utilizadas de maneira genérica, sem estabelecer uma relação clara com o assunto proposto.
Segundo as orientações da cartilha, uma citação inserida de forma automática ou forçada pode comprometer a compreensão do texto e demonstrar uma aplicação inadequada dos conhecimentos utilizados na argumentação.
A recomendação é que os participantes escolham referências que tenham relação com o tema e expliquem de que maneira elas ajudam a sustentar o ponto de vista apresentado. Obras literárias, filmes, acontecimentos históricos e outros conhecimentos podem ser utilizados, desde que estejam relacionados à discussão desenvolvida.
O Inep também orienta os estudantes a fazer uma leitura atenta da proposta de redação e dos textos motivadores antes de definir a linha de argumentação.
A cartilha detalha ainda as cinco competências avaliadas na redação do Enem: domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa; compreensão da proposta e desenvolvimento do texto dissertativo-argumentativo; seleção e organização de informações e argumentos; utilização dos mecanismos linguísticos necessários para construir a argumentação; e elaboração de proposta de intervenção que respeite os direitos humanos.
Cada competência vale até 200 pontos, totalizando mil pontos possíveis.
O material também reúne redações de participantes das cinco regiões do país que tiveram bons desempenhos no Enem 2025. Os textos são acompanhados de comentários que explicam como os estudantes desenvolveram o tema, utilizaram repertórios e construíram as propostas de intervenção.
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Para ampliar o acesso às orientações, o Inep disponibilizou ainda versões específicas da cartilha para participantes com dislexia, pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e participantes surdos ou com deficiência auditiva.