*Por Antônio Zacarias - Não é comum — e talvez por isso cause tanto incômodo — ver alguém do próprio setor da educação decidir romper o silêncio confortável e enfrentar uma narrativa politicamente conveniente. Foi exatamente isso que fez o empresário Waldery Areosa ao contestar publicamente as declarações de Maria Enxofre do Carmo sobre a nota 1 atribuída pelo MEC ao curso de Medicina da Fametro.
Ao contrário do discurso ensaiado que tenta transferir responsabilidades para o Ministério da Educação ou, de forma ainda mais grave, para os próprios alunos, Waldery escolheu o caminho da verdade técnica. Disse o óbvio que muitos fingem não ver: avaliações do MEC seguem critérios objetivos e recaem sobre quem dirige, planeja e executa o projeto acadêmico — nunca sobre quem paga para estudar.
Há algo profundamente revelador quando uma gestora tenta transformar estudantes em culpados por um fracasso institucional. Não se trata apenas de uma estratégia retórica equivocada; é um atestado de distanciamento da realidade e de ausência de autocrítica. Waldery Areosa, ao expor essa contradição, não atacou pessoas — atacou uma versão.
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E isso faz toda a diferença.
Em um momento em que o debate público no Amazonas é contaminado por discursos eleitorais, blindagens simbólicas e tentativas de reescrever fatos incômodos, a postura de Waldery se destaca por aquilo que deveria ser regra, mas virou exceção: honestidade intelectual. Ele não falou para agradar plateias, nem para se alinhar a projetos de poder. Falou porque os fatos exigiam ser recolocados no lugar certo.
Quem conhece minimamente a dinâmica do ensino superior sabe que nota 1 não cai do céu, nem nasce de perseguição burocrática. Ela é consequência. E consequência, quase sempre, de escolhas erradas, omissões e falhas acumuladas. Dizer isso em voz alta, quando envolve uma figura pública com ambições eleitorais, exige coragem — e compromisso com a verdade.
Num cenário em que muitos preferem o silêncio estratégico ou a conveniência política, Waldery Areosa escolheu confrontar. E ao confrontar, prestou um serviço não apenas ao debate educacional, mas à sociedade. Porque quando a mentira se organiza, a verdade precisa de quem tenha disposição para incomodar.
E incomodar, às vezes, é o único caminho para esclarecer.
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*Antônio Zacarias é fundador e proprietário do PORTAL DO ZACARIAS, atualmente no top 10 dos portais de notícias mais acessados do Brasil. Jornalista experiente, foi editor-geral de diversos jornais da Região Norte, com atuação destacada no Amazonas, onde dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério. Durante dois anos, atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte, a convite de Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral de O Globo. Antônio Zacarias é também autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra voltada à valorização do bom uso da língua portuguesa.