Especialistas alertam que até 80% das pessoas terão contato com o vírus, mas imunização e rastreamento podem evitar cânceres associados
O papilomavírus humano (HPV) é a infecção sexualmente transmissível mais comum no mundo. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que cerca de 80% das pessoas sexualmente ativas terão contato com o vírus em algum momento da vida.
No Brasil, o cenário também chama atenção. O Estudo POP-Brasil aponta que 53,6% dos jovens entre 16 e 25 anos têm algum tipo de HPV. Entre eles, 35,2% apresentam subtipos de alto risco para câncer, e 31% convivem com mais de uma variante simultaneamente.
Embora a maioria das infecções seja eliminada naturalmente pelo organismo, o HPV está relacionado a praticamente todos os casos de câncer do colo do útero 99,7% deles têm associação com o vírus.
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Segundo o Ministério da Saúde, o HPV infecta pele e mucosas e pode provocar desde verrugas genitais até diversos tipos de câncer. Existem mais de 200 subtipos identificados, sendo cerca de 14 considerados oncogênicos (de alto risco).
A transmissão ocorre principalmente por contato sexual vaginal, anal ou oral e o vírus pode permanecer silencioso por meses ou anos, sem sintomas aparentes. Essa característica facilita sua disseminação.
De acordo com Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a exposição é extremamente comum após o início da vida sexual, o que reforça a importância da vacinação precoce.
POR QUE NEM TODO MUNDO DESENVOLVE CÂNCER
Em cerca de 90% dos casos, o próprio sistema imunológico elimina o vírus em até dois anos. O problema surge quando a infecção persiste, especialmente com os tipos 16 e 18, considerados os mais associados ao câncer.
A evolução costuma ser lenta, o que permite identificar lesões precursoras por meio de exames de rastreamento antes que se transformem em tumor.
HPV E CÂNCER NO BRASIL
Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam cerca de 19.310 novos casos anuais de câncer do colo do útero no triênio 2026-2028. É o terceiro tipo mais comum entre mulheres no país, excluindo tumores de pele não melanoma.
Além do colo do útero, o HPV está associado a:
90% dos cânceres de ânus;
80% dos cânceres de vagina;
Mais de 50% dos cânceres de pênis;
Cerca de 50% dos cânceres de vulva;
Aproximadamente 35% dos cânceres de orofaringe.
QUEM PODE SE VACINAR PELO SUS
A vacina contra o HPV é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para:
Meninas e meninos de 9 a 14 anos;
Pessoas vivendo com HIV/aids até 45 anos;
Pacientes oncológicos até 45 anos;
Transplantados de órgãos sólidos ou medula óssea até 45 anos;
Usuários de PrEP de 15 a 45 anos;
Vítimas de violência sexual de 15 a 45 anos.
O Brasil adotou o esquema de dose única para adolescentes, estratégia que busca ampliar a cobertura vacinal. A vacina quadrivalente protege contra os tipos 6 e 11 (responsáveis pela maioria das verrugas genitais) e contra os tipos 16 e 18, ligados aos principais cânceres associados ao vírus.
Segundo o Ministério da Saúde, a vacinação já reduziu em 58% os casos de câncer do colo do útero e em 67% as lesões pré-cancerosas graves entre mulheres jovens no país.
VACINA NÃO SUBSTITUI O RASTREAMENTO
Mesmo imunizadas, as mulheres devem manter acompanhamento periódico a partir dos 25 anos. O SUS vem ampliando o uso do teste de DNA do HPV, considerado mais sensível que o Papanicolau tradicional.
A OMS estabeleceu a estratégia global 90-70-90 para eliminar o câncer do colo do útero:
90% das meninas vacinadas até os 15 anos;
70% das mulheres rastreadas;
90% das mulheres com lesões tratadas.
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Países como Austrália, Reino Unido, Suécia e Escócia já avançam nesse caminho. No Brasil, ampliar a vacinação e garantir acesso ao diagnóstico e tratamento são passos fundamentais para transformar uma infecção extremamente comum em um problema cada vez mais raro.