Economistas consultados pelo CNN Money destacam que corte de juros e volatilidade eleitoral devem movimentar mercado no ano
O Ibovespa teve um 2025 de renovações de recorde e ganhos de 34% no ano, melhor desempenho anual desde 2016. Após o período positivo, investidores avaliam o que pode impactar a Bolsa para 2026 e quais os possíveis rumos do principal índice acionário brasileiro. O CNN Money ouviu especialistas que avaliam quais fatores devem movimentar o mercado de ações e o que pode elevar -- ou derrubar -- as ações durante o ano.
Para José Faria Júnior, sócio da Wagner Investimentos, a expectativa de corte da taxa de juros para janeiro ou março deve ser positiva para o Ibovespa. "Em linhas gerais, quando há corte da Selic, a Bolsa performa bem e geralmente começa a subir um pouco antes do corte de juros. Então, teoricamente, estamos em um período bom para fazer aplicações na Bolsa pensando especificamente nisso", afirmou.
A redução na Selic leva a projeções do Ibovespa entre 170 mil e 180 mil pontos, segundo Ian Lopes, economista da Valor Investimentos.Ele também comenta que setores mais impactados pela possível queda dos juros são aqueles relacionados ao consumo, como o varejo, e aqueles que operam com maior alavancagem, como as small caps.
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"Isso naturalmente dá um fôlego no balanço dessas empresas, principalmente no setor de varejo, setor de consumo como um todo", afirmou.Lopes ressalta, porém, que o investidores devem estar preparados para variações do mercado em 2026. "É um ano de muita volatilidade porque temos eleições, e sabemos que ano de eleições geram uma volatilidade por conta das instabilidades políticas", comentou. Para se proteger das instabilidades eleitorais, o economista recomenda setores que demonstram mais resistência na economia.

Foto: Reprodução
"Os setores mais resilientes, que sempre tem demanda, são os setores de bancos, seguradoras, as grandes exportadoras de commodities do Brasil geralmente performam muito bem em períodos de baixa e alta Selic", orientou.Sobre as eleições, Faria Júnior reafirma os impactos na Bolsa e diz que candidato de centro poderia ser positivo para mercado brasileiro.
"Se a gente tiver uma mudança de pêndulo político para um governo de centro, mais ligado ao liberalismo econômico, certamente os ativos brasileiros têm muito a melhorar. Mas se continuar nas mãos do atual governo, a Bolsa pode até ter uma queda não muito grande, mas você também não vai ficar otimista", avaliou.
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Ele pondera que o déficit fiscal acumulado no governo Lula é peça fundamental para o pessimismo dos investidores com uma possível nova vitória em 2026, que poderia manter a Selic em nível restritivo. "O Brasil está com 8%, 9% de déficit. Então, isso faz o juro ficar alto. Se não entrar um governo que arrume o fiscal, então é difícil o juro cair e é difícil você ter uma boa performance na Bolsa", explicou.
Fonte: CNN