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Igor Thiago deveria estar na seleção brasileira para a Copa do Mundo?
Foto: Reprodução / PORTAL DO ZACARIAS

A única coisa que sei fazer na vida é marcar golos.» Essas foram as palavras recentes de Igor Thiago. O avançado do Brentford tem sido sensacional na Premier League nesta temporada, marcando 16 golos em 26 partidas — e para aqueles que gostam de aposta nos melhores marcadores do campeonato, os seus números são impossíveis de ignorar.

 

Apenas o super-humano Erling Haaland tem mais, enquanto o ex-astro do Bournemouth, Antoine Semenyo, está quatro golos atrás, após uma transferência de grande destaque para o Manchester City por 65 milhões de libras. Isso coloca Thiago na elite, mas ainda persiste o debate sobre se ele deve fazer parte da seleção brasileira para a Copa do Mundo na América do Norte.

 

O currículo internacional de Thiago oferece pouca clareza. Apesar de sua boa forma, o ex-atacante do Cruzeiro nunca representou o Brasil em nenhum nível, chegando a recusar uma convocação para a seleção sub-23 há dois anos. Mas o jogador de 26 anos não esconde seu sonho de vestir a famosa camisa amarela e, em sua forma atual, certamente está apresentando um argumento convincente para Carlo Ancelotti notar.

 

O problema, como sempre no Brasil, é a concorrência. Ancelotti tem muitas opções de ataque, especialmente alas. Mas em termos de um camisa nove tradicional, poucos brasileiros estão a igualar o rendimento de Thiago.

 

Richarlison continua a ser o candidato mais experiente, com 54 internacionalizações e 20 golos, mas o seu regresso à Premier League — sete em 21 — empalidece em comparação.

 

João Pedro, que começou bem depois de se juntar ao Chelsea vindo do Brighton, estabilizou. Ambos participaram da última convocatória de Ancelotti para os amistosos contra o Senegal e a Tunísia, mas nenhum dos dois foi titular nem marcou.

 

Há também Vitor Roque, que marcou 18 vezes em 33 partidas pelo Palmeiras na última temporada. Aos 20 anos, espera-se que ele seja convocado quando chegar a hora da seleção. Thiago, por outro lado, encontra-se a lutar contra a perceção e a adequação tática.

 

O Brasil pode nem usar um clássico nove no onze inicial. Um trio de ataque com Vinícius Júnior no centro, ladeado por Estevão e Raphinha, não seria surpreendente, dadas as preferências de Ancelotti e a abundância de talentos nas alas. Nesse cenário, as vagas no plantel para avançados ortodoxos tornam-se limitadas.

 

Depois, há o estilo de Thiago. O público inglês costuma descrevê-lo como um aríete — um centroavante forte e físico que se destaca nos duelos aéreos, na retenção de bola e na pressão incessante. Isso se encaixa perfeitamente no Brentford, mas não é assim que o Brasil costuma atacar, nem como os seus adversários se posicionam contra ele. Aqueles que decidirem apostar na Betfair nas perspectivas do Brasil na Copa do Mundo saberão que a flexibilidade tática da Seleção continua sendo uma das principais variáveis rumo à América do Norte.

 

O futebol internacional contra defesas profundas e compactas exige habilidade, sutileza e intercâmbio — coisas que Thiago pode fazer, mas que não são o seu forte. Essa incompatibilidade de estilos pode funcionar contra ele.

 

O perfil do clube é outro fator. Embora o Brentford seja agora um time consolidado da Premier League, o Brasil continua sendo uma nação de esnobismo futebolístico. Convocações de clubes ingleses “menores” nem sempre são universalmente aceitas. Matheus Cunha aprendeu isso durante sua passagem pelo Wolves antes de se tornar titular e ganhar uma transferência para o Manchester United. Thiago pode estar em uma trajetória semelhante, mas o timing é tudo em um ano de Copa do Mundo.

 

Por enquanto, as especulações prevalecem. As verdadeiras pistas surgirão em março, quando Ancelotti anunciar a sua convocatória para os últimos jogos de preparação do Brasil contra a França e a Croácia. Esses jogos serão tratados como ensaios, e não como experiências, e quem for escolhido provavelmente embarcará no avião para a América do Norte — se a sua forma física permitir. Se Thiago não for selecionado, o seu sonho poderá muito bem ser adiado até 2030.

 

Com base apenas na forma, Thiago merece estar na conversa. Se ele se encaixa na identidade, hierarquia e plano tático do Brasil é outra questão. A única certeza é que ele marca golos — e a Seleção ainda pode decidir que isso é motivo suficiente.

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