Veículos internacionais apontaram impactos políticos após EUA classificarem PCC e CV como terroristas.
A decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas repercutiu em veículos de imprensa internacionais, que destacaram possíveis impactos políticos da medida no Brasil e sua relação com o período pré-eleitoral.
Jornais e agências estrangeiras associaram a decisão às articulações recentes do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em Washington. O parlamentar esteve nos Estados Unidos nesta semana, onde se reuniu com o presidente Donald Trump e o secretário de Estado Marco Rubio.
O jornal norte-americano The New York Times afirmou que a medida ocorreu após “nova pressão dos Bolsonaros” e mencionou um “lobby agressivo” da família do ex-presidente Jair Bolsonaro junto ao governo americano.
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Segundo a publicação, autoridades brasileiras demonstram preocupação com uma possível tentativa de influência dos Estados Unidos nas próximas eleições presidenciais do país.
A agência Associated Press, em reportagem reproduzida pelo Washington Post, lembrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já declarou anteriormente que interpretaria esse tipo de classificação como uma interferência política externa favorável à oposição.
O Financial Times destacou que a decisão pode dificultar a aproximação diplomática entre Lula e Trump. O veículo britânico também avaliou que a medida tende a fortalecer politicamente Flávio Bolsonaro no cenário eleitoral.
Já as agências Reuters e Al Jazeera apontaram que a iniciativa faz parte da estratégia do governo Trump de ampliar sua atuação contra organizações criminosas na América Latina, repetindo medidas adotadas anteriormente contra grupos ligados à Colômbia e à Venezuela.
O canal francês France 24 classificou a decisão como uma “afronta política” ao governo Lula, ressaltando que o Brasil vinha resistindo à adoção da classificação de terrorismo para facções criminosas, apesar dos acordos de cooperação firmados com os Estados Unidos na área de segurança.
O anúncio oficial do Departamento de Estado norte-americano descreveu PCC e CV como “duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil”, citando ataques contra policiais, agentes públicos e civis, além da atuação internacional dos grupos.
As facções passaram a integrar a lista de Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs), medida que já entrou em vigor. Além disso, os grupos também devem receber a classificação de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) a partir de 5 de junho de 2026.
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Com isso, cidadãos e empresas sob jurisdição dos Estados Unidos ficam proibidos de fornecer apoio financeiro ou material às organizações. Instituições financeiras também poderão ser obrigadas a bloquear recursos ligados aos grupos criminosos.