Fogo atingiu área equivalente a mais de 600 campos de futebol, espalhou fumaça por comunidades de Iranduba e chegou a bairros da Zona Oeste de Manaus
Um incêndio florestal de grandes proporções atingiu aproximadamente 456 hectares de vegetação no distrito de Cacau Pirêra, em Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus. A área destruída pelo fogo corresponde a mais de 600 campos de futebol.
A grande quantidade de vegetação queimada provocou uma intensa nuvem de fumaça, que encobriu comunidades da região e também avançou pelo Rio Negro, atingindo bairros da Zona Oeste de Manaus.
O combate mobilizou 132 militares do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), além de 16 viaturas. Um posto de comando foi instalado de forma permanente na área para coordenar as ações.
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Segundo o comandante do CBMAM, coronel Muniz, aproximadamente 80% dos grandes focos haviam sido controlados até o início da manhã, após as equipes trabalharem durante toda a madrugada. Mesmo com o avanço no combate, pontos de menor intensidade e áreas com grande concentração de fumaça continuam sendo monitorados.
A preocupação é evitar que novos focos surjam ou que as chamas voltem a ganhar força devido à ação dos ventos e à presença de material vegetal seco.
A proximidade de uma linha de gasoduto também aumentou a atenção das equipes durante a operação. O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) informou que o trecho foi mapeado em conjunto com os bombeiros para impedir que o fogo avance em direção à estrutura e provoque riscos à segurança.
O terreno de várzea dificulta o deslocamento das equipes. Embora a estiagem tenha deixado acessíveis áreas que normalmente ficam cobertas pela água, a vegetação seca e as folhas de canarana contribuem para a rápida propagação das chamas.
As viaturas conseguem chegar apenas a determinados pontos do perímetro, obrigando os militares a seguir por longos trechos a pé, carregando equipamentos utilizados no combate direto aos focos dentro da mata.
Paralelamente ao trabalho dos bombeiros, a origem do incêndio passou a ser investigada pela Delegacia Especializada em Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema), com apoio da perícia técnica.
A delegada Elizabeth de Paula destacou a importância da participação da população para identificar possíveis responsáveis pelo incêndio. Denúncias podem ser feitas pelo Disque-Denúncia 181 ou pelo WhatsApp da especializada, no número (92) 3667-7741.
O Ipaam também iniciou procedimentos para identificar os proprietários das áreas atingidas. De acordo com o diretor-presidente do órgão, Gustavo Picanço, imagens de satélite e informações do Cadastro Ambiental Rural (CAR) estão sendo utilizadas para localizar os responsáveis pelos terrenos.
Os proprietários identificados poderão ser autuados administrativamente pelo órgão ambiental e também intimados a prestar esclarecimentos às autoridades policiais no decorrer das investigações.