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Índia vê 'oportunidade' no petróleo venezuelano após reunião entre presidente interina e premier indiano
Foto: Reprodução

Guerra no Irã e fechamento do Estreito de Ormuz obrigaram potência asiática a buscar alternativas à commodity que comprava do Oriente Médio

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, recebeu a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, com todas as honras nesta quinta-feira, antes de uma reunião para impulsionar o comércio entre um dos maiores exportadores de petróleo do mundo e sua nação, ávida por energia. Após o encontro em Nova Délhi entre os dois líderes, o Ministério das Relações Exteriores da Índia enfatizou que o gigante asiático vê as vastas reservas de petróleo da Venezuela como uma "oportunidade" e observou que o país já se tornou uma de suas principais fontes de petróleo.

 

Delcy está à frente do país latino-americano, que detém aproximadamente 17% das reservas mundiais de petróleo, desde janeiro, quando Forças dos Estados Unidos capturaram o então presidente, Nicolás Maduro, em meio a bombardeios em Caracas.

 

Antes do início da reunião, a mandatária venezuelana cumprimentou Modi em frente à histórica Casa Hyderabad, em Nova Délhi, onde o governo indiano estendeu um enorme tapete vermelho para recebê-la. Mais tarde, o premier disse estar "satisfeito" por ter se reunido com a líder venezuelana.

 

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"Tivemos amplas discussões sobre a expansão de nossa cooperação em energia, minerais críticos, tecnologia, agricultura, saúde e os laços entre nossos povos", afirmou em uma publicação no X. "Como um parceiro valioso na América Latina, nossa estreita cooperação com a Venezuela é de enorme importância para o Sul Global".

 

O ministro das Relações Exteriores da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, disse na ocasião que estava confiante de que o encontro "fortaleceria ainda mais" a cooperação entre os dois países.

 

A visita de Delcy ocorre em um momento em que a Índia, o terceiro maior importador de petróleo do mundo, aumentou suas compras da commodity venezuelana para compensar as interrupções no fornecimento relacionadas à guerra entre EUA, Israel e Irã no Golfo Pérsico.

 

— O governo indiano, devido aos acontecimentos no Oriente Médio, busca agressivamente novas fontes de petróleo bruto e energia para garantir a segurança energética — declarou Rudrendra Tandon, alto funcionário do Ministério das Relações Exteriores da Índia, a jornalistas após a reunião bilateral. — Portanto, a Venezuela representa uma oportunidade e faz parte do nosso plano.

 

'ALIANÇA ENERGÉTICA'


A Índia normalmente obtém cerca de metade de seu petróleo pelo Estreito de Ormuz, que dá acesso ao Golfo Pérsico. No entanto, desde o início do conflito no Oriente Médio, no final de fevereiro, o Irã restringiu o tráfego marítimo por essa via estratégica, que normalmente movimenta cerca de um quinto das remessas globais de petróleo e gás.

 

— Naturalmente, as conversas de hoje se concentraram em forjar uma aliança energética — acrescentou Tandon. — No setor de energia, vemos perfeita complementaridade (...). De fato, em nossas compras à vista, a Venezuela já se tornou nosso terceiro maior fornecedor neste mês.

 

Após desembarcar no país asiático na quarta-feira, Delcy enfatizou que esperava um diálogo focado no fortalecimento da relação bilateral.

 

— Estamos felizes em trazer a mensagem da Venezuela, que é uma mensagem de paz, amizade e cooperação. Teremos uma agenda muito frutífera, onde espero abordar áreas de cooperação que beneficiarão as principais necessidades do povo venezuelano — declarou ela à televisão estatal de seu país.

 

A Índia, grande economia de crescimento mais rápido do mundo, sentiu em cheio o impacto da crise energética global desencadeada pela guerra no Irã, assim como outros países asiáticos. Os altos preços globais do petróleo aumentam sua conta de importação, ameaçando alimentar a inflação e ampliar seu déficit em conta corrente para o maior nível em 14 anos, além de pressionar sua moeda, a rupia, que já enfrenta dificuldades.

 

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— A economia indiana é uma grande consumidora de petróleo, em crescimento, e deverá apresentar um crescimento estável da demanda por muitos anos — destacou Tandon. 

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