Ministério Público Federal abriu uma investigação para apurar impactos sociais e ambientais do rebaixamento do reservatório
Ameaças às vidas de povos indígenas e tradicionais, insegurança alimentar e falhas na comunicação por órgãos públicos são novamente uma fonte de vultosas polêmicas envolvendo hidrelétricas na Amazônia.
O Ministério Público Federal (MPF) abriu uma investigação para apurar impactos socioambientais do rebaixamento do reservatório da Usina Hidrelétrica de Colíder, no rio Teles Pires, no norte de Mato Grosso, e para verificar os efeitos sobre povos indígenas e tradicionais.
Segundo o MPF, a Eletrobras identificou danos em drenos da barragem, elevou o nível de segurança da usina para “alerta” e determinou a adoção de um Plano de Ação Emergencial (PAE).
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Afinal, a falha levou a bruscas alterações no nível do rio, como a subida de mais de dois metros seguida de forte redução em poucos dias, ainda sem comunicação adequada às comunidades impactadas.A investigação disparada pelo MPF atende a uma denúncia de lideranças indígenas sobre a “repentina cheia do rio” na região. Em nota pública, a Associação DACE, que representa os Munduruku do baixo Teles Pires, denuncia riscos iminentes às aldeias e cobra transparência.
Haveria risco de rompimento de uma barragem provocar efeito em cadeia em quatro grandes hidrelétricas, as de Sinop, Colíder, Teles Pires e São Manoel. “O rio é um só. Se há problema em uma usina, o impacto se espalha pelo Teles Pires”, afirmam os indígenas. Além disso, eles relatam mortandade de peixes, ameaça a tartarugas, água turva e insegurança alimentar, por exemplo pela dificuldade de pescar. Também denunciam a falta de comunicação oficial e direta com autoridades públicas.
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“A maior parte do que chega até nós vem de mensagens em WhatsApp, o que nos deixa sem saber o que é mentira e o que é verdade. Falta informação segura, direta e diária para as comunidades”, reclamam. Assim, caciques, anciãos, mulheres e crianças estão vivendo sob tensão e alerta permanentes, sem saber se acordarão com suas casas submersas.
Fonte: O Eco