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Indígenas da Amazônia colombiana denunciam poluição por petróleo e ameaças de guerrilhas
Foto: Reprodução

A Colômbia enfrenta um dos cenários mais desafiadores da região amazônica, onde indústria petrolífera, grupos armados e indígenas disputam os mesmos territórios

Na Amazônia colombiana, os espíritos guardiões ao redor do rio Putumayo – que também percorre Equador, Peru e Brasil – já não se revelam como antes. Os povos indígenas Siona e Inga contam enfrentar a pressão da exploração petrolífera e de grupos armados em seus territórios, enquanto veem seus rituais se enfraquecerem pela deterioração de seus rios.

 

A comunidade de Buenavista, lar de cerca de cem famílias sionas e cujo território foi oficialmente reconhecido nos anos 1970, está localizada próxima ao bloco Platanillo — uma área de 142 km² concedida à exploração petrolífera em 2006, dentro do município de Puerto Asís, no sudoeste da Colômbia. Atualmente, a operação é controlada pela La Nueva Amerisur, subsidiária da Geopark, empresa que adquiriu a então Amerisur Resources.

 

A 60 km de Buenavista está a comunidade Wasipungo, do povo Inga, cujo território foi reconhecido há mais de duas décadas pelo governo colombiano. Lá, a situação é parecida. Segundo a autoridade ambiental Corpoamazonia, mais de 95% da área de Villagarzón, cidade que abriga a comunidade, foi reservada à exploração petrolífera. Em 2010, a canadense Gran Tierra Energy informou ter adquirido o bloco Putumayo-1, nas proximidades de Wasipungo.

 

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Os povos Siona e Inga são transfronteiriços: para eles, atravessar de canoa o rio Putumayo entre a Colômbia e o Equador não significa cruzar uma fronteira nacional, mas percorrer um território ancestral com laços inseparáveis. Porém, segundo especialistas e indígenas, esses vínculos foram enfraquecidos pela presença de grupos armados, por políticas voltadas à expansão petrolífera na região e pela visão do Estado de encarar as fronteiras mais como áreas de controle militar do que como territórios ancestrais e destino de serviços públicos.

 

“A fronteira é um território sem interesse para o Estado, é vista como uma terra devoluta, sem dono”, criticou María Espinosa, uma das advogadas que tem assessorado povos indígenas da região, da organização Amazon Frontlines.

 

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Ao longo do último ano, o veículo colombiano Rutas del Conflicto explorou como a atividade petrolífera e grupos armados afetam os povos Siona e Inga. Em outubro de 2024, a equipe visitou suas comunidades, onde várias entrevistas foram concedidas sob anonimato por questões de segurança. Essa apuração integra o projeto Até a Última Gota, iniciativa jornalística para expor os impactos do petróleo na Amazônia.

 

Fonte: Revista Forum

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