Medicamento oferece proteção por seis meses e já recebeu autorização da Anvisa, mas ainda não está disponível nas farmácias nem na rede pública de saúde.
Uma nova injeção utilizada na prevenção do HIV terá preço máximo de R$ 20,9 mil por aplicação no Brasil. O medicamento, chamado lenacapavir, oferece proteção por seis meses e representa uma alternativa aos comprimidos utilizados diariamente na profilaxia pré-exposição (PrEP). Apesar da definição do valor, o produto ainda não está disponível para comercialização no país.
O preço foi estabelecido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), responsável por determinar os valores máximos de venda de medicamentos no Brasil. A medida ocorre após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizar, em janeiro de 2026, o uso preventivo da substância.
Produzido pela farmacêutica Gilead Sciences e comercializado sob o nome Sunlenca, o medicamento é administrado por meio de injeções subcutâneas na região do abdômen. A aplicação deve ser realizada por profissionais de saúde, seguindo as orientações estabelecidas para o tratamento preventivo.
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O lenacapavir foi autorizado para adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 quilos, que apresentam risco de exposição ao HIV. Antes de iniciar o uso, é necessário realizar testes para confirmar que o paciente não está infectado pelo vírus.
Estudos clínicos apresentados à Anvisa demonstraram resultados positivos na prevenção da infecção. Em um dos grupos avaliados, o medicamento apresentou eficácia de 100%. Os resultados reforçam o potencial da substância como uma nova ferramenta de prevenção, embora a proteção não deva ser considerada absoluta em todas as situações.
Mesmo com a aprovação do preço máximo, a venda do medicamento depende da organização dos processos de distribuição e comercialização pela fabricante. A definição do valor também não garante que o produto será disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Para ser incorporado à rede pública, o lenacapavir deverá passar por avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) e receber autorização do Ministério da Saúde. O governo federal estuda a possibilidade de oferecer o medicamento como alternativa para pessoas que enfrentam dificuldades em manter o uso diário da PrEP.
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Em setembro, um acordo entre a fabricante e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) abriu a possibilidade de facilitar o fornecimento do medicamento a países da América Latina, incluindo o Brasil. Entretanto, ainda não foram divulgados preços negociados ou prazos para a distribuição no país. O custo elevado e a eventual incorporação ao SUS serão fatores importantes para ampliar o acesso à nova tecnologia de prevenção.